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sexta-feira, 21 de novembro de 2025

🌪️ Microburst: O Fenômeno Mais Perigoso para Pousos e Decolagens na Aviação

 



✈️ O Que é um Microburst?

O microburst é uma corrente descendente extremamente intensa que surge sob nuvens convectivas — principalmente Cumulonimbus (CB) e Towering Cumulus (TCU).
Ao atingir o solo, essa massa de ar explode horizontalmente, gerando ventos divergentes que mudam drasticamente de intensidade e direção em segundos.

É considerado um dos fenômenos mais perigosos da meteorologia aeronáutica, responsável por múltiplos acidentes e incidentes durante pousos e decolagens, quando a aeronave está lenta e com baixa margem de manobra.

🌩️ Como o Microburst se Forma?

O microburst nasce dentro de nuvens altamente instáveis quando:

  • gotas de chuva evaporam e resfriam o ar;

  • granizo derrete, deixando o ar mais denso;

  • ocorre descarga de ar frio dentro do CB;

  • correntes descendentes são aceleradas por forte instabilidade térmica.

Esse ar frio, mais pesado, despenca verticalmente em até 6.000 ft/min, formando uma poderosa corrente descendente.

Ao tocar o solo, ele se espalha em formato radial, criando rajadas horizontais que atingem facilmente 50 a 70 nós, podendo ultrapassar isso em tempestades severas.

🛫 Por Que o Microburst é tão Perigoso na Aproximação?

Durante a aproximação, a aeronave está:

  • em baixa altitude,

  • em velocidade controlada próxima da Vapp,

  • com pouco espaço para recuperar energia,

  • com pouco empuxo disponível após manobras rápidas.

A sequência típica que derruba um avião:

1️⃣ Entrada na área – vento de proa forte

A aeronave sente aumento temporário de sustentação. O piloto reduz potência.

2️⃣ Centro do microburst – forte descendente

A aeronave afunda repentinamente, podendo perder centenas de pés em segundos.

3️⃣ Saída – vento de cauda forte

Aqui ocorre a perda crítica de sustentação.
A velocidade indicada cai, a IAS despenca, e o avião não consegue manter a rampa.

Resultado: impacto com o solo.

Tudo isso pode acontecer em menos de 20 segundos.

🛬 Microburst na Decolagem

Na decolagem, o risco é ainda maior porque a aeronave está:

  • no início da razão de subida,

  • com alto peso,

  • com empuxo limitado por temperatura/altitude,

  • em velocidade apenas pouco acima de V2.

O microburst pode causar:

  • queda da velocidade indicada,

  • perda da razão de subida,

  • afundamento súbito,

  • colisão com o terreno logo após a rotação.

🧭 Como Detectar Microburst na Operação?

📡 1. Radar Doppler de Solo (TDWR, LLWAS)

Detecta variações de vento na pista e envia alertas automáticos.

🎯 2. Sinais visuais

  • cortinas de chuva intensa,

  • poeira levantada,

  • cortinas divergentes no solo,

  • base escura de CB ou TCU.

🛰️ 3. Radar meteorológico da aeronave

Não detecta microburst diretamente, mas detecta núcleos convectivos onde há forte chance de ocorrência.

✈️ 4. Sistemas embarcados

  • EGPWS

  • Windshear Warning / Windshear Ahead

  • Predictive Windshear Alert

Quando ativam, a reação é imediata.

🔧 Procedimento de Sobrevivência — Como o Piloto Reage?

Se ocorrer na aproximação:

➡️ ARREMETER IMEDIATAMENTE

  • Potência máxima,

  • Manter pitch seguro,

  • Asas niveladas,

  • Ignorar chamadas de altitude momentânea.

Se ocorrer na decolagem:

➡️ Windshear Escape Maneuver

  • Potência máxima,

  • Subida com atitude fixa,

  • Não tentar retornar à rampa,

  • Priorizar energia aeronáutica.

⚠️ Microburst não se vence — se evita.

⛈️ Microburst em Acidentes Históricos

Dois dos acidentes mais estudados da história da aviação foram causados por microburst:

  • Delta Air Lines 191 (1985) – L-1011 Tristar

  • Eastern Air Lines 66 (1975) – Boeing 727

Após esses eventos, a indústria criou sistemas modernos como TDWR, LLWAS, Predictive Windshear e novos protocolos de aproximação.

🧠 Conclusão: Microburst é Prevenção e Tomada de Decisão

Microburst é um inimigo rápido, invisível e devastador.
Nenhuma aeronave — do Cessna 172 ao Boeing 777 — supera uma corrente descendente tão intensa.

A única estratégia segura é:

EVITAR — DETECTAR — ARREMETER.

Pilotos experientes sabem que, diante da dúvida, desviar ou esperar é sempre a escolha mais segura.


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Marcuss Silva Reis