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Bem-vindo ao Instituto do Ar, um blog dedicado ao fascinante mundo da aviação. Nossa missão é fornecer conteúdo de alta qualidade, rigorosamente pesquisado, sobre diversos aspectos da aviação, desde a teoria e prática do voo até as políticas e tecnologias que moldam a indústria.Utilizo IA na confeção dos textos porém os temas são elencados por mim juntamente com os ajustes e correções!Desejo uma ótima leitura a todos!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Tripulantes: custo fixo ou variável?

 


Uma análise sob a ótica da economia e dos negócios

A discussão sobre se tripulantes são custo fixo ou variável vai além de uma simples classificação contábil. Trata-se de uma decisão estratégica que impacta segurança, produtividade, reputação da empresa e sustentabilidade do negócio.

No setor aéreo, onde a margem é apertada e os ciclos econômicos são intensos, entender a natureza desse custo é essencial.

Conceitos básicos: custo fixo x custo variável

Na economia e na contabilidade gerencial:

Custos fixos

  • Não variam diretamente com a produção.

  • Ex.: leasing de aeronaves, salários administrativos, seguros.

Custos variáveis

  • Aumentam ou diminuem conforme a operação.

  • Ex.: combustível, taxas aeroportuárias, catering, horas extras.

A questão é: onde entram os tripulantes?

A visão contábil tradicional

Do ponto de vista estritamente contábil, a tripulação costuma ser classificada como custo variável, porque:

  • Parte da remuneração depende das horas voadas.

  • Há pagamento de:

    • Diárias.

    • Adicionais.

    • Horas extras.

  • A necessidade de tripulação cresce com:

    • Expansão da frota.

    • Aumento de frequências.

    • Crescimento da demanda.

Ou seja, mais voos = mais tripulantes necessários.A visão econômica e estratégica

Sob a ótica da economia dos negócios, a realidade é diferente.

Tripulantes têm características de custo fixo estratégico

Porque:

  1. Formação longa e cara

    • Um piloto comercial pode levar anos para atingir os requisitos mínimos.

    • O investimento pode chegar a dezenas ou centenas de milhares de dólares.

  2. Certificação regulatória

    • Treinamentos obrigatórios.

    • Simuladores.

    • Checagens periódicas.

  3. Baixa elasticidade de oferta

    • Não é possível aumentar rapidamente o número de pilotos no mercado.

    • A oferta responde lentamente à demanda.

  4. Impacto direto na segurança

    • Experiência e estabilidade de tripulação influenciam a operação.

O conceito de custo semi-fixo

Na prática, o custo com tripulantes é melhor classificado como:

Custo semi-fixo (ou escalonado)

Porque:

  • Existe um número mínimo de tripulantes necessário para operar a malha.

  • Mesmo com redução de voos, a empresa precisa manter:

    • Tripulações de reserva.

    • Instrutores.

    • Checadores.

    • Estrutura de treinamento.

Mas quando a operação cresce:

  • É necessário contratar e treinar novas tripulações.

  • O custo sobe em “degraus”, não de forma linear.

O erro estratégico de tratar tripulantes como custo puramente variável

Quando a empresa tenta ajustar tripulantes como se fossem combustível ou catering, surgem problemas:

Efeitos comuns

  • Demissões em massa em crises.

  • Falta de tripulantes na retomada.

  • Cancelamentos por falta de tripulação.

  • Aumento de custos com contratação emergencial.

  • Perda de experiência operacional.

Isso foi visto globalmente no pós-pandemia.

O ciclo econômico da mão de obra na aviação

O setor aéreo vive um padrão recorrente:

  1. Crise econômica → demissões de tripulantes.

  2. Retomada da demanda → falta de profissionais.

  3. Aumento de salários e bônus.

  4. Expansão da formação.

  5. Novo excesso de oferta no ciclo seguinte.

Esse fenômeno mostra que tripulantes não são um insumo comum, mas sim um recurso estratégico.

Comparação com outros custos da aviação

ItemNatureza econômica
CombustívelVariável puro
Taxas aeroportuáriasVariável
Leasing de aeronavesFixo
Manutenção programadaSemi-fixo
TripulantesSemi-fixo estratégico

A visão das companhias mais bem-sucedidas

Empresas que tratam tripulantes como ativo estratégico costumam:

  • Investir em carreira de longo prazo.

  • Manter programas de retenção.

  • Evitar demissões abruptas em crises.

  • Preservar cultura de segurança.

O resultado costuma ser:

  • Menor rotatividade.

  • Menos cancelamentos.

  • Maior confiabilidade operacional.

  • Melhor reputação de marca.

Conclusão

Sob a ótica contábil, tripulantes podem parecer custos variáveis.
Mas, sob a ótica econômica e estratégica, são claramente custos semi-fixos e ativos essenciais do negócio.

Companhias que não entendem essa diferença tendem a enfrentar:

  • Crises de mão de obra.

  • Aumento de custos operacionais.

  • Perda de competitividade.

Já as que tratam tripulantes como capital humano estratégico constroem operações mais estáveis, seguras e rentáveis no longo prazo.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

“Por que pilotos colocam e tiram os óculos escuros durante o voo? Entenda o significado técnico e psicológico”

 





Quem já observou um piloto em voo — seja na cabine de comando, em vídeos ou até durante uma instrução — provavelmente já notou um comportamento curioso: ele coloca e tira os óculos escuros várias vezes durante o trajeto.

Para o leigo, pode parecer nervosismo, vaidade ou simples distração. Mas, na maioria das vezes, esse gesto tem explicações técnicas, fisiológicas e até psicológicas.

Vamos entender o que realmente está por trás desse comportamento.A luz no cockpit não é constante

Diferente de um carro ou de um escritório, o cockpit é um ambiente de luz extremamente variável. Durante um único voo, o piloto pode enfrentar:

  • Sol de frente na subida

  • Reflexo intenso nas nuvens

  • Camadas de sombra entre nuvens

  • Mudança de direção em relação ao sol

  • Reflexos no painel e no para-brisa

Essas variações acontecem em minutos ou até segundos.

Por isso, o piloto frequentemente:

  • Coloca os óculos quando a luz aumenta

  • Tira quando a visibilidade do painel precisa melhorar

Esse comportamento é, na maioria das vezes, puramente funcional.


A leitura dos instrumentos exige adaptação

Outro fator importante é o painel da aeronave.

Em muitos aviões, principalmente os mais modernos com telas digitais, os óculos escuros podem:

  • Reduzir o contraste

  • Alterar cores

  • Dificultar a leitura de informações críticas

  • Interferir em displays polarizados

Isso faz com que o piloto, naturalmente:

  • Tire os óculos para conferir o painel

  • Coloque novamente ao olhar para fora

É uma alternância normal entre visão externa e leitura de instrumentos.


O olho humano também precisa se ajustar

Existe ainda um fator fisiológico.

Quando o piloto usa óculos escuros:

  • A pupila dilata para compensar a menor luz

Quando ele tira os óculos:

  • A pupila precisa contrair novamente

Se a luz estiver variando muito, o piloto pode ficar alternando os óculos para encontrar o melhor conforto visual.

Em alguns casos, isso pode indicar:

  • Sensibilidade à luz

  • Lentes inadequadas para o cockpit

  • Excesso de claridade na cabine


O lado psicológico: o que o gesto pode revelar

Nem sempre o gesto é apenas técnico. Em certas situações, o comportamento repetitivo pode ter um significado psicológico.

Sinais de tensão ou sobrecarga

Em momentos de maior carga de trabalho, o piloto pode:

  • Ajustar os óculos com frequência

  • Mexer no fone

  • Organizar papéis ou checklists sem necessidade

  • Fazer pequenos movimentos repetitivos

Isso é comum quando há:

  • Estresse operacional

  • Condições meteorológicas difíceis

  • Falhas técnicas

  • Pressão de tempo

Esses pequenos gestos funcionam como micro-rotinas inconscientes, dando sensação de controle.


Hábito ou estilo pessoal

Também existe um fator comportamental simples: o hábito.

Alguns pilotos:

  • Aprenderam a voar com muita incidência de luz

  • Tiveram instrutores que recomendavam o uso constante

  • Desenvolveram uma rotina própria de ajuste visual

Nesses casos, o gesto não tem qualquer significado psicológico mais profundo.

É apenas costume de cockpit.


Quando isso pode ser um sinal de alerta

O comportamento pode merecer atenção quando:

  • É excessivamente repetitivo

  • O piloto demonstra inquietação

  • O gesto aparece em situações críticas

  • Há outros sinais de tensão

Como:

  • Respiração acelerada

  • Fala muito rápida

  • Movimentos nervosos

  • Perda de organização na cabine

Nesses casos, o ajuste constante dos óculos pode ser um indicador de sobrecarga cognitiva.


Conclusão: na maioria das vezes, é só ajuste visual

Para quem observa de fora, o gesto pode parecer estranho.
Mas, na prática, colocar e tirar os óculos escuros durante o voo é algo normal.

Na maior parte das situações, isso significa apenas:

  • Adaptação à luz

  • Melhor leitura dos instrumentos

  • Conforto visual

Só em contextos específicos o comportamento pode indicar tensão ou excesso de carga mental.

Como tantas outras coisas na aviação, um gesto simples pode ter várias camadas de significado — e entender isso faz parte da cultura de segurança.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

“Lugar de ferro é no chão”-Histórias de cabine e uma lição simples que salva vidas

 


Histórias de cabine e uma lição simples que salva vidas

Na aviação, muitas expressões nascem da experiência. Algumas são técnicas, outras viram quase um ditado popular entre pilotos. Uma delas é curta, direta e cheia de significado: “lugar de ferro é no chão.”

À primeira vista, pode parecer apenas uma frase espirituosa. Mas, dentro de uma cabine de comando, ela carrega uma filosofia inteira de segurança de voo.

O dia em que o ferro quis voar

Em um voo de instrução num velho monomotor, um aluno recém-solo estava radiante. Céu limpo, motor redondo, vento calmo. Tudo parecia perfeito.

A poucos minutos da aproximação, o aluno percebeu que a manete de mistura estava um pouco dura. Forçou um pouco mais. Nada demais, pensou.

O instrutor, mais experiente, apenas observou e disse com calma:

Não brigue com o avião. Se o ferro não quer voar, o lugar dele é no chão.

O aluno não entendeu de imediato. O motor ainda funcionava. O avião continuava voando normalmente.

Mesmo assim, o instrutor pediu o retorno imediato ao aeródromo.

Após o pouso, já no pátio, o mecânico encontrou o problema:
um cabo da mistura estava parcialmente travado e começando a desfiar por dentro. Se tivesse rompido em voo, o motor poderia ter ido para uma condição indesejada — ou até parado.

O avião parecia saudável. Mas não estava.

E foi ali que o aluno entendeu o sentido da frase.

O que significa, na prática

A aviação é uma atividade baseada em prevenção. Diferente de outras áreas, onde se pode “ver o que acontece”, no voo isso costuma ser uma péssima estratégia.

A expressão “lugar de ferro é no chão” quer dizer:

  • Se algo não está 100% normal, não decole.

  • Se algo estranho aparece em voo, pouse o quanto antes.

  • Nenhum compromisso vale mais do que a integridade da aeronave e das pessoas a bordo.

Em termos técnicos, isso está ligado ao conceito de margem de segurança operacional.

Um avião é projetado para voar dentro de certos parâmetros:

  • temperatura do motor

  • pressão de óleo

  • vibração

  • ruídos

  • comportamento aerodinâmico

Quando algum desses parâmetros foge do padrão, o piloto deve interpretar aquilo como um sinal de alerta, não como um desafio a ser vencido.

A tentação de “ir só mais um pouco”

Em muitos relatos de incidentes, aparece um pensamento comum:

  • “É só mais um trecho.”

  • “O destino já está perto.”

  • “O avião sempre fez isso.”

  • “Depois a gente resolve.”

Esse tipo de raciocínio é conhecido na segurança de voo como pressão operacional ou continuação de plano. É quando o piloto insiste na missão, mesmo com sinais de alerta.

E é exatamente contra esse impulso que nasceu a frase:

Lugar de ferro é no chão.

Outra história, agora em um bimotor

Em um voo executivo, durante o táxi para decolagem, o piloto percebeu uma leve vibração no pedal direito. Nada alarmante. Nenhuma indicação anormal no painel.

O passageiro já estava com o cinto apertado, reunião marcada, horário justo.

O copiloto comentou:

— Deve ser só uma irregularidade no piso.

O comandante respondeu:

— Pode ser. Mas ferro não discute, ferro obedece. E o lugar dele, quando não está perfeito, é no chão.

Cancelou a decolagem e voltou ao pátio.

Resultado:
um início de delaminação em um dos pneus do trem principal. Nada visível externamente, mas suficiente para provocar uma falha em alta velocidade.

Se aquela decolagem tivesse sido realizada, o problema poderia aparecer justamente no momento mais crítico: acima de 100 nós, sem margem para abortar.

A lógica técnica por trás da frase

Para o público leigo, pode parecer exagero pousar por qualquer detalhe. Mas existe uma razão clara.

1. No ar, as opções são limitadas

Em terra:

  • há ferramentas

  • há mecânicos

  • há peças de reposição

  • há tempo para pensar

No ar:

  • o piloto está sozinho

  • o tempo é curto

  • as decisões são irreversíveis

2. Problemas pequenos podem crescer

Uma vibração pode virar:

  • quebra de suporte

  • falha de componente

  • perda de controle

Uma temperatura ligeiramente alta pode virar:

  • superaquecimento

  • perda de potência

  • pane total

3. O avião não tem “acostamento”

Diferente de um carro, o avião não pode simplesmente parar em qualquer lugar.

Por isso, a regra é simples:
se existe dúvida, o melhor lugar para a aeronave é no chão.

A sabedoria dos pilotos antigos

Muitos pilotos experientes nunca leram tratados de segurança operacional. Mas aprenderam na prática algumas regras de ouro:

  • O avião não tem pressa.

  • O passageiro sempre chega… se o avião chegar.

  • O melhor voo é aquele que termina sem história para contar.

  • E, principalmente: lugar de ferro é no chão.

Essa frase resume décadas de experiência, acidentes estudados e decisões difíceis.

A lição para além da aviação

Curiosamente, esse pensamento serve também para a vida.

Se algo:

  • parece errado

  • está fora do normal

  • causa desconforto

  • exige esforço além do razoável

Talvez seja o momento de parar, reavaliar e “pousar” antes de seguir.

Na aviação, essa atitude salva vidas.
Fora dela, também.

Conclusão

A frase pode parecer simples, quase rústica. Mas carrega uma das maiores verdades da segurança de voo:

Nenhum voo é obrigatório.
O único objetivo real é pousar em segurança.
E, quando o ferro não está 100%, o lugar dele é no chão.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Drones nas ATZs: por que aeroportos e o controle de tráfego terão que tratar o risco como o perigo aviário

 


Introdução

O crescimento acelerado do uso de drones recreativos e profissionais trouxe um novo desafio para a segurança da aviação: o risco de colisão com aeronaves nas áreas próximas aos aeroportos, especialmente dentro das ATZs (Aerodrome Traffic Zones).

Assim como o setor aéreo desenvolveu, ao longo das décadas, programas específicos para o perigo aviário, torna-se cada vez mais evidente que a aviação civil terá de estruturar um programa semelhante voltado ao risco dos drones.

A questão não é mais “se” isso será necessário, mas quando esse tipo de programa se tornará obrigatório em aeroportos e órgãos de controle de tráfego aéreo.


O que é uma ATZ e por que ela é crítica

A ATZ (Aerodrome Traffic Zone) é a área de espaço aéreo ao redor de um aeródromo onde se concentram:

  • Decolagens

  • Aproximações

  • Circuitos de tráfego

  • Operações de treinamento

  • Voos de helicópteros

  • Tráfego de aviação geral

Nessa região, as aeronaves:

  • Operam em baixa altitude

  • Estão em configuração crítica de voo

  • Possuem menor margem de manobra

Ou seja, qualquer interferência externa — como um drone — pode representar um risco real e imediato.


O perigo dos drones: um risco diferente das aves

Durante décadas, o setor aéreo se preocupou com o perigo aviário, criando programas estruturados de mitigação.

Mas o drone apresenta características mais preocupantes:

Diferenças principais

CaracterísticaAvesDrones
OrigemNaturalArtificial
EstruturaOrgânicaPlásticos, metais e baterias
Impacto potencialDissipação de energiaEstruturas rígidas e componentes internos
ResponsabilidadeInexistenteOperador identificável
PrevisibilidadeInstintivaDependente de ação humana

Um drone pode:

  • Penetrar para-brisas

  • Danificar bordos de ataque

  • Ser ingerido por motores

  • Provocar falhas estruturais

E tudo isso na fase mais crítica do voo.


A tendência: um programa de gerenciamento do risco de drones

Os aeroportos já possuem o Programa de Gerenciamento do Risco Aviário.
O crescimento dos drones aponta para a necessidade de um:

Programa de Gerenciamento do Risco de Drones (conceito)

Esse programa poderia incluir:

1. Monitoramento eletrônico

  • Radares anti-drone

  • Sensores de radiofrequência

  • Câmeras de vigilância aérea

2. Procedimentos específicos no ATC

  • Alertas automáticos

  • Suspensão de operações

  • Rotas alternativas

3. Integração com segurança pública

  • Polícia

  • Autoridades aeronáuticas

  • Defesa civil

4. Educação e fiscalização

  • Campanhas para operadores recreativos

  • Regras para empresas de filmagem e entrega

  • Registro obrigatório de drones

5. Sistema de reporte

  • Banco de dados de ocorrências com drones

  • Relatórios padronizados

  • Estatísticas de risco


Consequências operacionais da presença de drones

A presença de um drone dentro de uma ATZ pode provocar:

  • Arremetidas

  • Suspensão de pousos e decolagens

  • Fechamento temporário do aeroporto

  • Atrasos em cadeia

  • Cancelamentos de voos

  • Impactos econômicos relevantes

Já existem aeroportos internacionais que:

  • Ficaram horas fechados

  • Tiveram milhares de passageiros afetados

  • Registraram prejuízos milionários

Tudo por causa da presença de drones nas proximidades da pista.


O papel do controle de tráfego aéreo

O ATC terá papel fundamental nesse novo cenário:

  • Recebendo alertas de presença de drones

  • Coordenando ações com autoridades

  • Alterando sequências de aproximação

  • Garantindo a separação segura

Assim como hoje existe:

  • Procedimento para bird strike

  • Notificação de risco aviário

  • Equipes especializadas

no futuro será comum:

  • Alerta de drone na ATZ

  • Procedimentos padronizados

  • Equipes de resposta rápida


Conclusão

O drone deixou de ser apenas um equipamento recreativo.
Hoje ele representa um novo vetor de risco operacional, especialmente nas ATZs, onde o tráfego aéreo é mais intenso e vulnerável.

Assim como o setor aéreo estruturou programas robustos para o perigo aviário, será inevitável a criação de:

Programas específicos de gerenciamento do risco de drones em aeroportos e órgãos de controle de tráfego aéreo.

A segurança da aviação sempre evoluiu com base na prevenção.
E o risco dos drones já é uma realidade que exige tecnologia, regulamentação, educação e integração entre os diversos atores do sistema aéreo.

A redução do peso por passageiro sob a ótica da economia de escala na aviação comercial

 


A redução do peso por passageiro sob a ótica da economia de escala na aviação comercial

A aviação comercial é uma das atividades econômicas mais sensíveis ao peso transportado. Diferentemente de outros setores, onde o custo marginal pode ser pequeno, na aviação cada quilo adicional tem impacto direto no consumo de combustível, no desempenho e no custo operacional. Por isso, a redução do peso disponível por passageiro — especialmente na forma de bagagem — está diretamente ligada aos princípios da economia de escala.

O que é economia de escala na aviação

Economia de escala ocorre quando o custo médio por unidade transportada diminui à medida que o volume de produção aumenta. No caso das companhias aéreas, essa “unidade” pode ser:

  • Passageiros transportados

  • Assentos disponíveis

  • Quilômetros voados

Quanto maior a quantidade de passageiros transportados com eficiência, menor tende a ser o custo por assento.

Mas existe um limite físico:
A aeronave tem um peso máximo de decolagem (MTOW), que precisa ser dividido entre:

  • Estrutura do avião

  • Combustível

  • Passageiros

  • Bagagens

  • Carga

Esse limite obriga as companhias a fazer escolhas econômicas.

O peso como fator limitante da escala

Em termos práticos, o avião não é limitado apenas pelo número de assentos, mas pelo peso total transportado.

Se cada passageiro leva:

  • Mais bagagem

  • Itens pesados

  • Volume maior de carga

O resultado é:

  • Menos passageiros possíveis dentro do limite de peso

  • Menos combustível disponível para rotas longas

  • Maior consumo por passageiro

Ou seja, o excesso de peso reduz a eficiência da escala.

O conceito de “peso médio por passageiro”

As companhias aéreas trabalham com um indicador chamado:

Peso médio por passageiro (Passenger Weight Assumption)

Esse valor inclui:

  • Peso do passageiro

  • Bagagem de mão

  • Bagagem despachada

Se o peso médio aumenta:

  • O consumo de combustível por assento aumenta

  • O custo operacional sobe

  • A economia de escala diminui

Se o peso médio diminui:

  • Mais passageiros podem ser transportados

  • O consumo por assento cai

  • O custo unitário diminui

O impacto direto no custo por assento

O principal indicador econômico da aviação é o CASK (Cost per Available Seat Kilometer), ou custo por assento-quilômetro.

Quando o peso por passageiro é alto:

  • O consumo de combustível aumenta

  • O CASK sobe

  • A margem de lucro diminui

Quando o peso por passageiro é reduzido:

  • O consumo por assento diminui

  • O CASK cai

  • A companhia ganha competitividade

Essa lógica é a base do modelo das companhias de baixo custo (low cost).

Exemplo prático de economia de escala com redução de peso

Imagine dois cenários para o mesmo voo:

Cenário A – bagagem generosa

  • 180 passageiros

  • 23 kg de bagagem por passageiro

  • Peso total de bagagem: 4.140 kg

Cenário B – bagagem reduzida

  • 180 passageiros

  • 10 kg de bagagem por passageiro

  • Peso total de bagagem: 1.800 kg

Diferença:

  • 2.340 kg a menos no voo

Consequências:

  • Menor consumo de combustível

  • Menor desgaste de motores e freios

  • Maior alcance

  • Redução do custo por passageiro

Multiplicando isso por:

  • Centenas de voos por dia

  • Anos de operação

A economia chega a milhões de dólares anuais.

O papel das companhias low cost

As companhias de baixo custo entenderam cedo essa lógica. Seu modelo operacional inclui:

  • Bagagem paga

  • Assentos mais leves

  • Menos serviços de bordo

  • Cabines mais densas

O objetivo é simples:

Reduzir o peso médio por passageiro para aumentar a economia de escala.

Isso permite:

  • Tarifas mais baixas

  • Maior taxa de ocupação

  • Custos operacionais menores

A relação entre peso, combustível e escala

Na aviação, existe um ciclo econômico:

  1. Mais peso a bordo

  2. Maior consumo de combustível

  3. Maior custo operacional

  4. Aumento do custo por passageiro

  5. Redução da competitividade

Ao reduzir o peso por passageiro, o ciclo se inverte:

  1. Menos peso

  2. Menor consumo

  3. Menor custo operacional

  4. Redução do custo por assento

  5. Aumento da economia de escala

O limite físico da economia de escala

Diferentemente de outros setores, a economia de escala na aviação não é infinita. Ela é limitada por:

  • Peso máximo de decolagem

  • Comprimento de pista

  • Temperatura

  • Altitude do aeroporto

  • Capacidade estrutural da aeronave

Por isso, a redução do peso por passageiro é uma forma de aumentar a eficiência sem mudar a aeronave.


Conclusão

A redução do peso disponível por passageiro não é apenas uma política comercial ou uma estratégia de receita acessória. Ela faz parte de um conceito econômico fundamental da aviação: a economia de escala baseada no peso transportado.

Ao reduzir o peso médio por passageiro, as companhias conseguem:

  • Transportar mais pessoas com o mesmo combustível

  • Reduzir o custo por assento

  • Aumentar a eficiência operacional

  • Oferecer tarifas mais competitivas

No fim das contas, a lógica é simples:

Na aviação comercial, a verdadeira unidade de escala não é apenas o número de passageiros, mas o peso total transportado por voo

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Por que a gasolina de aviação é tão cara no Brasil?

 



Um olhar econômico sobre o custo da AVGAS e seus impactos na formação de pilotos

A gasolina de aviação, conhecida como AVGAS, é um combustível essencial para a base de toda a aviação civil: a aviação a pistão, responsável pela formação de pilotos, pela aviação agrícola, pelo táxi-aéreo leve e por boa parte das operações regionais. Apesar de sua importância estratégica, o Brasil convive há décadas com um paradoxo: produz gasolina de aviação e exporta excedentes a preços internacionais, enquanto o operador nacional paga um dos combustíveis mais caros do mundo.

Esse cenário não é apenas uma questão de mercado. Ele afeta diretamente a formação de pilotos, a sobrevivência dos aeroclubes e o custo-hora de voo, com reflexos em toda a cadeia da aviação.

Um combustível de nicho, mas estratégico

Diferentemente do querosene de aviação (QAV), usado por aeronaves a jato e responsável por quase todo o consumo aeronáutico do país, a AVGAS representa cerca de 1% do mercado de combustíveis de aviação.

Esse pequeno volume tem consequências diretas:

  • Produção em escala reduzida

  • Distribuição mais cara

  • Menor competição

  • Logística especializada

Mas, apesar de representar apenas uma fração do consumo, a AVGAS sustenta a base da pirâmide da aviação: a formação de pilotos.

Sem AVGAS acessível, o sistema começa a apresentar gargalos.

O custo de produção e o preço de exportação

A produção da gasolina de aviação no Brasil é concentrada principalmente na refinaria da Petrobras em Cubatão, em São Paulo. O processo envolve:

  • Refino de frações leves do petróleo

  • Ajuste de octanagem

  • Aditivação específica

  • Controle de qualidade aeronáutico rigoroso

O custo estimado de produção da AVGAS na refinaria gira em torno de:

  • US$ 0,60 a US$ 0,90 por litro

  • Aproximadamente R$ 3,00 a R$ 4,50 por litro na saída da refinaria

Quando há excedente, parte desse combustível é exportada para mercados da América Latina e Caribe por:

  • US$ 1,00 a US$ 1,40 por litro

  • Aproximadamente R$ 5,00 a R$ 7,00 por litro

Ou seja, o produto brasileiro é competitivo no mercado internacional.

O preço na bomba: o verdadeiro problema

O contraste aparece quando se observa o preço pago pelo operador brasileiro.

Na prática, a gasolina de aviação é vendida nos aeroportos do país por:

  • R$ 12,00 a R$ 15,00 por litro em grandes centros

  • R$ 16,00 a R$ 22,00 por litro em aeroportos regionais

Em alguns casos, o preço final chega a ser quatro vezes maior que o custo de produção.

Esse aumento ocorre por fatores como:

  • ICMS estadual

  • Margens de distribuição

  • Transporte rodoviário em pequenas quantidades

  • Estrutura concentrada de produção

O impacto direto na formação de pilotos

Para quem vive a aviação, o efeito é imediato e mensurável.

O combustível representa:

  • 30% a 50% do custo-hora de um avião de instrução

  • O principal fator de encarecimento do curso de piloto privado e comercial

Consequências práticas:

  • Redução de horas voadas

  • Alongamento do tempo de formação

  • Abandono de cursos por motivos financeiros

  • Enfraquecimento dos aeroclubes

O resultado é um efeito em cadeia:

Combustível caro → menos alunos → menos pilotos formados → escassez futura de mão de obra.

O paradoxo brasileiro

A situação pode ser resumida em uma frase:

O Brasil produz gasolina de aviação a custo competitivo, exporta excedentes a preço internacional e vende internamente a valores muito superiores.

Isso revela que o problema não está apenas no custo industrial, mas na estrutura de mercado, logística e tributação.

Uma questão estratégica, não apenas comercial

A gasolina de aviação não deve ser vista apenas como um produto de mercado. Ela é um insumo estratégico para a formação de mão de obra aeronáutica.

Países com forte tradição aeronáutica, como os Estados Unidos, mantêm:

  • Ampla rede de distribuição de AVGAS

  • Forte concorrência entre fornecedores

  • Preços relativamente acessíveis

O resultado é uma formação de pilotos mais barata e dinâmica.

No Brasil, o custo elevado cria uma barreira de entrada para novos profissionais, o que, a médio e longo prazo, pode afetar:

  • Companhias aéreas

  • Táxi-aéreo

  • Aviação regional

  • Segurança operacional

Caminhos possíveis

Algumas medidas poderiam reduzir o custo da AVGAS no país:

  1. Revisão tributária

    • ICMS diferenciado para combustível de instrução

  2. Ampliação da concorrência

    • Facilitação da importação de AVGAS

  3. Logística multimodal

    • Distribuição por dutos ou cabotagem em regiões estratégicas

  4. Incentivo a combustíveis alternativos

    • MOGAS certificada

    • AVGAS sem chumbo (100UL)

Conclusão

A gasolina de aviação é um combustível de pequeno volume, mas de enorme importância estratégica. É ela que move os aviões de instrução, forma os pilotos e sustenta a base da aviação civil.

O Brasil vive hoje um paradoxo econômico: produz e exporta AVGAS a preços competitivos, mas impõe ao operador nacional um dos combustíveis mais caros do mundo.

Resolver essa equação não é apenas uma questão de mercado. É uma política de formação de mão de obra, desenvolvimento regional e segurança da aviação.

Porque, no fim das contas, cada litro de AVGAS queimado em um aeroclube não é apenas combustível — é investimento em um futuro comandante.


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Formação de gelo em aeronaves: o que é, como se forma, tipos de gelo e cuidados operacionais

 



A formação de gelo em aeronaves é um dos fenômenos meteorológicos mais perigosos para a segurança de voo. O gelo altera a aerodinâmica, aumenta o peso, reduz a sustentação e pode comprometer gravemente o desempenho da aeronave, principalmente em aviões leves e sem sistemas adequados de proteção.