Introdução
O crescimento acelerado do uso de drones recreativos e profissionais trouxe um novo desafio para a segurança da aviação: o risco de colisão com aeronaves nas áreas próximas aos aeroportos, especialmente dentro das ATZs (Aerodrome Traffic Zones).
Assim como o setor aéreo desenvolveu, ao longo das décadas, programas específicos para o perigo aviário, torna-se cada vez mais evidente que a aviação civil terá de estruturar um programa semelhante voltado ao risco dos drones.
A questão não é mais “se” isso será necessário, mas quando esse tipo de programa se tornará obrigatório em aeroportos e órgãos de controle de tráfego aéreo.
O que é uma ATZ e por que ela é crítica
A ATZ (Aerodrome Traffic Zone) é a área de espaço aéreo ao redor de um aeródromo onde se concentram:
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Decolagens
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Aproximações
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Circuitos de tráfego
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Operações de treinamento
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Voos de helicópteros
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Tráfego de aviação geral
Nessa região, as aeronaves:
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Operam em baixa altitude
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Estão em configuração crítica de voo
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Possuem menor margem de manobra
Ou seja, qualquer interferência externa — como um drone — pode representar um risco real e imediato.
O perigo dos drones: um risco diferente das aves
Durante décadas, o setor aéreo se preocupou com o perigo aviário, criando programas estruturados de mitigação.
Mas o drone apresenta características mais preocupantes:
Diferenças principais
| Característica | Aves | Drones |
|---|---|---|
| Origem | Natural | Artificial |
| Estrutura | Orgânica | Plásticos, metais e baterias |
| Impacto potencial | Dissipação de energia | Estruturas rígidas e componentes internos |
| Responsabilidade | Inexistente | Operador identificável |
| Previsibilidade | Instintiva | Dependente de ação humana |
Um drone pode:
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Penetrar para-brisas
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Danificar bordos de ataque
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Ser ingerido por motores
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Provocar falhas estruturais
E tudo isso na fase mais crítica do voo.
A tendência: um programa de gerenciamento do risco de drones
Os aeroportos já possuem o Programa de Gerenciamento do Risco Aviário.
O crescimento dos drones aponta para a necessidade de um:
Programa de Gerenciamento do Risco de Drones (conceito)
Esse programa poderia incluir:
1. Monitoramento eletrônico
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Radares anti-drone
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Sensores de radiofrequência
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Câmeras de vigilância aérea
2. Procedimentos específicos no ATC
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Alertas automáticos
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Suspensão de operações
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Rotas alternativas
3. Integração com segurança pública
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Polícia
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Autoridades aeronáuticas
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Defesa civil
4. Educação e fiscalização
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Campanhas para operadores recreativos
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Regras para empresas de filmagem e entrega
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Registro obrigatório de drones
5. Sistema de reporte
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Banco de dados de ocorrências com drones
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Relatórios padronizados
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Estatísticas de risco
Consequências operacionais da presença de drones
A presença de um drone dentro de uma ATZ pode provocar:
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Arremetidas
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Suspensão de pousos e decolagens
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Fechamento temporário do aeroporto
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Atrasos em cadeia
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Cancelamentos de voos
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Impactos econômicos relevantes
Já existem aeroportos internacionais que:
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Ficaram horas fechados
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Tiveram milhares de passageiros afetados
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Registraram prejuízos milionários
Tudo por causa da presença de drones nas proximidades da pista.
O papel do controle de tráfego aéreo
O ATC terá papel fundamental nesse novo cenário:
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Recebendo alertas de presença de drones
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Coordenando ações com autoridades
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Alterando sequências de aproximação
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Garantindo a separação segura
Assim como hoje existe:
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Procedimento para bird strike
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Notificação de risco aviário
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Equipes especializadas
no futuro será comum:
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Alerta de drone na ATZ
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Procedimentos padronizados
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Equipes de resposta rápida
Conclusão
O drone deixou de ser apenas um equipamento recreativo.
Hoje ele representa um novo vetor de risco operacional, especialmente nas ATZs, onde o tráfego aéreo é mais intenso e vulnerável.
Assim como o setor aéreo estruturou programas robustos para o perigo aviário, será inevitável a criação de:
Programas específicos de gerenciamento do risco de drones em aeroportos e órgãos de controle de tráfego aéreo.
A segurança da aviação sempre evoluiu com base na prevenção.
E o risco dos drones já é uma realidade que exige tecnologia, regulamentação, educação e integração entre os diversos atores do sistema aéreo.
