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Joanópolis, SP, Brazil
Bem-vindo ao Instituto do Ar, um blog dedicado ao fascinante mundo da aviação. Nossa missão é fornecer conteúdo de alta qualidade, rigorosamente pesquisado, sobre diversos aspectos da aviação, desde a teoria e prática do voo até as políticas e tecnologias que moldam a indústria.Utilizo IA na confeção dos textos porém os temas são elencados por mim juntamente com os ajustes e correções!Desejo uma ótima leitura a todos!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Drones nas ATZs: por que aeroportos e o controle de tráfego terão que tratar o risco como o perigo aviário

 


Introdução

O crescimento acelerado do uso de drones recreativos e profissionais trouxe um novo desafio para a segurança da aviação: o risco de colisão com aeronaves nas áreas próximas aos aeroportos, especialmente dentro das ATZs (Aerodrome Traffic Zones).

Assim como o setor aéreo desenvolveu, ao longo das décadas, programas específicos para o perigo aviário, torna-se cada vez mais evidente que a aviação civil terá de estruturar um programa semelhante voltado ao risco dos drones.

A questão não é mais “se” isso será necessário, mas quando esse tipo de programa se tornará obrigatório em aeroportos e órgãos de controle de tráfego aéreo.


O que é uma ATZ e por que ela é crítica

A ATZ (Aerodrome Traffic Zone) é a área de espaço aéreo ao redor de um aeródromo onde se concentram:

  • Decolagens

  • Aproximações

  • Circuitos de tráfego

  • Operações de treinamento

  • Voos de helicópteros

  • Tráfego de aviação geral

Nessa região, as aeronaves:

  • Operam em baixa altitude

  • Estão em configuração crítica de voo

  • Possuem menor margem de manobra

Ou seja, qualquer interferência externa — como um drone — pode representar um risco real e imediato.


O perigo dos drones: um risco diferente das aves

Durante décadas, o setor aéreo se preocupou com o perigo aviário, criando programas estruturados de mitigação.

Mas o drone apresenta características mais preocupantes:

Diferenças principais

CaracterísticaAvesDrones
OrigemNaturalArtificial
EstruturaOrgânicaPlásticos, metais e baterias
Impacto potencialDissipação de energiaEstruturas rígidas e componentes internos
ResponsabilidadeInexistenteOperador identificável
PrevisibilidadeInstintivaDependente de ação humana

Um drone pode:

  • Penetrar para-brisas

  • Danificar bordos de ataque

  • Ser ingerido por motores

  • Provocar falhas estruturais

E tudo isso na fase mais crítica do voo.


A tendência: um programa de gerenciamento do risco de drones

Os aeroportos já possuem o Programa de Gerenciamento do Risco Aviário.
O crescimento dos drones aponta para a necessidade de um:

Programa de Gerenciamento do Risco de Drones (conceito)

Esse programa poderia incluir:

1. Monitoramento eletrônico

  • Radares anti-drone

  • Sensores de radiofrequência

  • Câmeras de vigilância aérea

2. Procedimentos específicos no ATC

  • Alertas automáticos

  • Suspensão de operações

  • Rotas alternativas

3. Integração com segurança pública

  • Polícia

  • Autoridades aeronáuticas

  • Defesa civil

4. Educação e fiscalização

  • Campanhas para operadores recreativos

  • Regras para empresas de filmagem e entrega

  • Registro obrigatório de drones

5. Sistema de reporte

  • Banco de dados de ocorrências com drones

  • Relatórios padronizados

  • Estatísticas de risco


Consequências operacionais da presença de drones

A presença de um drone dentro de uma ATZ pode provocar:

  • Arremetidas

  • Suspensão de pousos e decolagens

  • Fechamento temporário do aeroporto

  • Atrasos em cadeia

  • Cancelamentos de voos

  • Impactos econômicos relevantes

Já existem aeroportos internacionais que:

  • Ficaram horas fechados

  • Tiveram milhares de passageiros afetados

  • Registraram prejuízos milionários

Tudo por causa da presença de drones nas proximidades da pista.


O papel do controle de tráfego aéreo

O ATC terá papel fundamental nesse novo cenário:

  • Recebendo alertas de presença de drones

  • Coordenando ações com autoridades

  • Alterando sequências de aproximação

  • Garantindo a separação segura

Assim como hoje existe:

  • Procedimento para bird strike

  • Notificação de risco aviário

  • Equipes especializadas

no futuro será comum:

  • Alerta de drone na ATZ

  • Procedimentos padronizados

  • Equipes de resposta rápida


Conclusão

O drone deixou de ser apenas um equipamento recreativo.
Hoje ele representa um novo vetor de risco operacional, especialmente nas ATZs, onde o tráfego aéreo é mais intenso e vulnerável.

Assim como o setor aéreo estruturou programas robustos para o perigo aviário, será inevitável a criação de:

Programas específicos de gerenciamento do risco de drones em aeroportos e órgãos de controle de tráfego aéreo.

A segurança da aviação sempre evoluiu com base na prevenção.
E o risco dos drones já é uma realidade que exige tecnologia, regulamentação, educação e integração entre os diversos atores do sistema aéreo.

A redução do peso por passageiro sob a ótica da economia de escala na aviação comercial

 


A redução do peso por passageiro sob a ótica da economia de escala na aviação comercial

A aviação comercial é uma das atividades econômicas mais sensíveis ao peso transportado. Diferentemente de outros setores, onde o custo marginal pode ser pequeno, na aviação cada quilo adicional tem impacto direto no consumo de combustível, no desempenho e no custo operacional. Por isso, a redução do peso disponível por passageiro — especialmente na forma de bagagem — está diretamente ligada aos princípios da economia de escala.

O que é economia de escala na aviação

Economia de escala ocorre quando o custo médio por unidade transportada diminui à medida que o volume de produção aumenta. No caso das companhias aéreas, essa “unidade” pode ser:

  • Passageiros transportados

  • Assentos disponíveis

  • Quilômetros voados

Quanto maior a quantidade de passageiros transportados com eficiência, menor tende a ser o custo por assento.

Mas existe um limite físico:
A aeronave tem um peso máximo de decolagem (MTOW), que precisa ser dividido entre:

  • Estrutura do avião

  • Combustível

  • Passageiros

  • Bagagens

  • Carga

Esse limite obriga as companhias a fazer escolhas econômicas.

O peso como fator limitante da escala

Em termos práticos, o avião não é limitado apenas pelo número de assentos, mas pelo peso total transportado.

Se cada passageiro leva:

  • Mais bagagem

  • Itens pesados

  • Volume maior de carga

O resultado é:

  • Menos passageiros possíveis dentro do limite de peso

  • Menos combustível disponível para rotas longas

  • Maior consumo por passageiro

Ou seja, o excesso de peso reduz a eficiência da escala.

O conceito de “peso médio por passageiro”

As companhias aéreas trabalham com um indicador chamado:

Peso médio por passageiro (Passenger Weight Assumption)

Esse valor inclui:

  • Peso do passageiro

  • Bagagem de mão

  • Bagagem despachada

Se o peso médio aumenta:

  • O consumo de combustível por assento aumenta

  • O custo operacional sobe

  • A economia de escala diminui

Se o peso médio diminui:

  • Mais passageiros podem ser transportados

  • O consumo por assento cai

  • O custo unitário diminui

O impacto direto no custo por assento

O principal indicador econômico da aviação é o CASK (Cost per Available Seat Kilometer), ou custo por assento-quilômetro.

Quando o peso por passageiro é alto:

  • O consumo de combustível aumenta

  • O CASK sobe

  • A margem de lucro diminui

Quando o peso por passageiro é reduzido:

  • O consumo por assento diminui

  • O CASK cai

  • A companhia ganha competitividade

Essa lógica é a base do modelo das companhias de baixo custo (low cost).

Exemplo prático de economia de escala com redução de peso

Imagine dois cenários para o mesmo voo:

Cenário A – bagagem generosa

  • 180 passageiros

  • 23 kg de bagagem por passageiro

  • Peso total de bagagem: 4.140 kg

Cenário B – bagagem reduzida

  • 180 passageiros

  • 10 kg de bagagem por passageiro

  • Peso total de bagagem: 1.800 kg

Diferença:

  • 2.340 kg a menos no voo

Consequências:

  • Menor consumo de combustível

  • Menor desgaste de motores e freios

  • Maior alcance

  • Redução do custo por passageiro

Multiplicando isso por:

  • Centenas de voos por dia

  • Anos de operação

A economia chega a milhões de dólares anuais.

O papel das companhias low cost

As companhias de baixo custo entenderam cedo essa lógica. Seu modelo operacional inclui:

  • Bagagem paga

  • Assentos mais leves

  • Menos serviços de bordo

  • Cabines mais densas

O objetivo é simples:

Reduzir o peso médio por passageiro para aumentar a economia de escala.

Isso permite:

  • Tarifas mais baixas

  • Maior taxa de ocupação

  • Custos operacionais menores

A relação entre peso, combustível e escala

Na aviação, existe um ciclo econômico:

  1. Mais peso a bordo

  2. Maior consumo de combustível

  3. Maior custo operacional

  4. Aumento do custo por passageiro

  5. Redução da competitividade

Ao reduzir o peso por passageiro, o ciclo se inverte:

  1. Menos peso

  2. Menor consumo

  3. Menor custo operacional

  4. Redução do custo por assento

  5. Aumento da economia de escala

O limite físico da economia de escala

Diferentemente de outros setores, a economia de escala na aviação não é infinita. Ela é limitada por:

  • Peso máximo de decolagem

  • Comprimento de pista

  • Temperatura

  • Altitude do aeroporto

  • Capacidade estrutural da aeronave

Por isso, a redução do peso por passageiro é uma forma de aumentar a eficiência sem mudar a aeronave.


Conclusão

A redução do peso disponível por passageiro não é apenas uma política comercial ou uma estratégia de receita acessória. Ela faz parte de um conceito econômico fundamental da aviação: a economia de escala baseada no peso transportado.

Ao reduzir o peso médio por passageiro, as companhias conseguem:

  • Transportar mais pessoas com o mesmo combustível

  • Reduzir o custo por assento

  • Aumentar a eficiência operacional

  • Oferecer tarifas mais competitivas

No fim das contas, a lógica é simples:

Na aviação comercial, a verdadeira unidade de escala não é apenas o número de passageiros, mas o peso total transportado por voo

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Por que a gasolina de aviação é tão cara no Brasil?

 



Um olhar econômico sobre o custo da AVGAS e seus impactos na formação de pilotos

A gasolina de aviação, conhecida como AVGAS, é um combustível essencial para a base de toda a aviação civil: a aviação a pistão, responsável pela formação de pilotos, pela aviação agrícola, pelo táxi-aéreo leve e por boa parte das operações regionais. Apesar de sua importância estratégica, o Brasil convive há décadas com um paradoxo: produz gasolina de aviação e exporta excedentes a preços internacionais, enquanto o operador nacional paga um dos combustíveis mais caros do mundo.

Esse cenário não é apenas uma questão de mercado. Ele afeta diretamente a formação de pilotos, a sobrevivência dos aeroclubes e o custo-hora de voo, com reflexos em toda a cadeia da aviação.

Um combustível de nicho, mas estratégico

Diferentemente do querosene de aviação (QAV), usado por aeronaves a jato e responsável por quase todo o consumo aeronáutico do país, a AVGAS representa cerca de 1% do mercado de combustíveis de aviação.

Esse pequeno volume tem consequências diretas:

  • Produção em escala reduzida

  • Distribuição mais cara

  • Menor competição

  • Logística especializada

Mas, apesar de representar apenas uma fração do consumo, a AVGAS sustenta a base da pirâmide da aviação: a formação de pilotos.

Sem AVGAS acessível, o sistema começa a apresentar gargalos.

O custo de produção e o preço de exportação

A produção da gasolina de aviação no Brasil é concentrada principalmente na refinaria da Petrobras em Cubatão, em São Paulo. O processo envolve:

  • Refino de frações leves do petróleo

  • Ajuste de octanagem

  • Aditivação específica

  • Controle de qualidade aeronáutico rigoroso

O custo estimado de produção da AVGAS na refinaria gira em torno de:

  • US$ 0,60 a US$ 0,90 por litro

  • Aproximadamente R$ 3,00 a R$ 4,50 por litro na saída da refinaria

Quando há excedente, parte desse combustível é exportada para mercados da América Latina e Caribe por:

  • US$ 1,00 a US$ 1,40 por litro

  • Aproximadamente R$ 5,00 a R$ 7,00 por litro

Ou seja, o produto brasileiro é competitivo no mercado internacional.

O preço na bomba: o verdadeiro problema

O contraste aparece quando se observa o preço pago pelo operador brasileiro.

Na prática, a gasolina de aviação é vendida nos aeroportos do país por:

  • R$ 12,00 a R$ 15,00 por litro em grandes centros

  • R$ 16,00 a R$ 22,00 por litro em aeroportos regionais

Em alguns casos, o preço final chega a ser quatro vezes maior que o custo de produção.

Esse aumento ocorre por fatores como:

  • ICMS estadual

  • Margens de distribuição

  • Transporte rodoviário em pequenas quantidades

  • Estrutura concentrada de produção

O impacto direto na formação de pilotos

Para quem vive a aviação, o efeito é imediato e mensurável.

O combustível representa:

  • 30% a 50% do custo-hora de um avião de instrução

  • O principal fator de encarecimento do curso de piloto privado e comercial

Consequências práticas:

  • Redução de horas voadas

  • Alongamento do tempo de formação

  • Abandono de cursos por motivos financeiros

  • Enfraquecimento dos aeroclubes

O resultado é um efeito em cadeia:

Combustível caro → menos alunos → menos pilotos formados → escassez futura de mão de obra.

O paradoxo brasileiro

A situação pode ser resumida em uma frase:

O Brasil produz gasolina de aviação a custo competitivo, exporta excedentes a preço internacional e vende internamente a valores muito superiores.

Isso revela que o problema não está apenas no custo industrial, mas na estrutura de mercado, logística e tributação.

Uma questão estratégica, não apenas comercial

A gasolina de aviação não deve ser vista apenas como um produto de mercado. Ela é um insumo estratégico para a formação de mão de obra aeronáutica.

Países com forte tradição aeronáutica, como os Estados Unidos, mantêm:

  • Ampla rede de distribuição de AVGAS

  • Forte concorrência entre fornecedores

  • Preços relativamente acessíveis

O resultado é uma formação de pilotos mais barata e dinâmica.

No Brasil, o custo elevado cria uma barreira de entrada para novos profissionais, o que, a médio e longo prazo, pode afetar:

  • Companhias aéreas

  • Táxi-aéreo

  • Aviação regional

  • Segurança operacional

Caminhos possíveis

Algumas medidas poderiam reduzir o custo da AVGAS no país:

  1. Revisão tributária

    • ICMS diferenciado para combustível de instrução

  2. Ampliação da concorrência

    • Facilitação da importação de AVGAS

  3. Logística multimodal

    • Distribuição por dutos ou cabotagem em regiões estratégicas

  4. Incentivo a combustíveis alternativos

    • MOGAS certificada

    • AVGAS sem chumbo (100UL)

Conclusão

A gasolina de aviação é um combustível de pequeno volume, mas de enorme importância estratégica. É ela que move os aviões de instrução, forma os pilotos e sustenta a base da aviação civil.

O Brasil vive hoje um paradoxo econômico: produz e exporta AVGAS a preços competitivos, mas impõe ao operador nacional um dos combustíveis mais caros do mundo.

Resolver essa equação não é apenas uma questão de mercado. É uma política de formação de mão de obra, desenvolvimento regional e segurança da aviação.

Porque, no fim das contas, cada litro de AVGAS queimado em um aeroclube não é apenas combustível — é investimento em um futuro comandante.


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Formação de gelo em aeronaves: o que é, como se forma, tipos de gelo e cuidados operacionais

 



A formação de gelo em aeronaves é um dos fenômenos meteorológicos mais perigosos para a segurança de voo. O gelo altera a aerodinâmica, aumenta o peso, reduz a sustentação e pode comprometer gravemente o desempenho da aeronave, principalmente em aviões leves e sem sistemas adequados de proteção.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Trilhas de condensação: como os contrails transportam poluição na atmosfera

 


As trilhas de condensação, conhecidas como contrails (do inglês condensation trails), são aquelas marcas brancas deixadas por aeronaves a grandes altitudes. Embora pareçam apenas nuvens finas e passageiras, elas estão diretamente ligadas ao transporte de poluentes na atmosfera e têm impacto no clima global.

O que são os contrails

Contrails se formam quando os gases quentes e úmidos do escapamento dos motores a jato entram em contato com o ar frio das altas altitudes, geralmente acima de 8.000 metros.

Esse encontro provoca:

  • Condensação do vapor d’água

  • Formação de cristais de gelo

  • Criação das trilhas brancas visíveis no céu

Dependendo das condições atmosféricas, essas trilhas podem:

  • Desaparecer em poucos minutos

  • Persistir por horas

  • Espalhar-se e formar nuvens artificiais semelhantes a cirros

O que existe dentro de um contrail

Os contrails não são formados apenas por água congelada. Eles também contêm partículas e gases provenientes da combustão do combustível de aviação.

Principais componentes:

1. Vapor d’água

  • Produto natural da combustão do querosene de aviação.

2. Dióxido de carbono (CO₂)

  • Principal gás de efeito estufa emitido pelos aviões.

3. Óxidos de nitrogênio (NOx)

  • Contribuem para a formação de ozônio na alta atmosfera.

4. Partículas de fuligem (black carbon)

  • Núcleos de condensação que ajudam a formar os cristais de gelo.

Essas partículas podem permanecer suspensas por longos períodos e ser transportadas por correntes atmosféricas, espalhando seus efeitos para regiões distantes.

Como os contrails transportam poluição

Os contrails funcionam como veículos de dispersão de poluentes em níveis altos da atmosfera.

O processo ocorre assim:

  1. O avião emite gases e partículas durante o voo.

  2. Esses elementos se misturam ao vapor d’água.

  3. Formam cristais de gelo nas trilhas de condensação.

  4. As correntes de vento em altitude transportam essas partículas por grandes distâncias.

Com o tempo, os contrails podem:

  • Espalhar-se e formar nuvens artificiais.

  • Alterar o balanço térmico da atmosfera.

  • Contribuir para o aquecimento global.

Impacto climático dos contrails

Estudos indicam que o efeito climático dos contrails persistentes pode ser comparável ou até superior ao impacto direto do CO₂ da aviação em curto prazo.

Isso acontece porque:

  • As nuvens de contrail retêm calor irradiado pela Terra.

  • Funcionam como um “cobertor” atmosférico.

  • Reduzem a perda de calor durante a noite.

Esse fenômeno é chamado de forçamento radiativo.

Fatores que influenciam a formação de contrails

Nem todo voo produz trilhas persistentes. A formação depende de:

Temperatura

  • Ar muito frio favorece a condensação.

Umidade

  • Alta umidade em altitude permite que a trilha permaneça.

Altitude de cruzeiro

  • Regiões próximas à tropopausa são mais propensas.

O que a aviação está fazendo para reduzir esse impacto

A indústria aeronáutica tem buscado soluções para diminuir a formação de contrails persistentes:

Rotas com menor formação de contrails

  • Ajustes de altitude para evitar camadas úmidas.

Combustíveis sustentáveis (SAF)

  • Produzem menos fuligem.

  • Reduzem a formação de cristais de gelo.

Motores mais eficientes

  • Menor emissão de partículas.Conclusão

As trilhas de condensação são um fenômeno natural da aviação a jato, mas também representam um mecanismo de transporte de poluentes em grande escala.

Entender os contrails é fundamental para o futuro da aviação, pois eles mostram que o impacto ambiental do setor não está apenas no combustível queimado, mas também na forma como as emissões interagem com a atmosfera

Referências bibliográficas (padrão ABNT)

IPCC – INTERGOVERNMENTAL PANEL ON CLIMATE CHANGE.
Aviation and the Global Atmosphere. Cambridge: Cambridge University Press, 1999.


LEE, D. S.; FAHEY, D. W.; SKOWRON, A.; ALLEN, M. R.; BURKHOLDER, J. B.; CHEN, Q.; DOHERTY, S. J.; FREEMAN, S.; FORSTER, P. M.; FUGLESTVEDT, J.; GETTELMAN, A.; et al.
The contribution of global aviation to anthropogenic climate forcing for 2000–2018. Atmospheric Environment, v. 244, 2021.


SCHUMANN, U.
On conditions for contrail formation from aircraft exhausts. Meteorologische Zeitschrift, v. 5, n. 1, p. 4–23, 1996.


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Congonhas sem ligação direta com a rodoviária: um gargalo na multimodalidade mobilidade de passageiros em São Paulo

 


São Paulo é o principal polo econômico do Brasil e abriga um dos aeroportos mais movimentados da América Latina: o Aeroporto de Congonhas. Com sua localização central e forte presença na ponte aérea Rio–São Paulo, Congonhas é símbolo de eficiência operacional e alta demanda corporativa.

Por outro lado, a cidade também concentra o maior terminal rodoviário do país, o Terminal Rodoviário do Tietê, porta de entrada e saída para centenas de cidades do interior paulista e de outros estados.

O que chama atenção é um detalhe estratégico: não existe uma ligação direta e eficiente entre esses dois polos de transporte.

O problema: aeroporto moderno, acesso fragmentado

Hoje, o passageiro que desembarca em Congonhas e precisa seguir viagem para o interior enfrenta um cenário pouco integrado:

  • Não há linha direta de ônibus entre o aeroporto e a rodoviária.

  • O transporte público exige baldeações e tempo elevado de deslocamento.

  • A alternativa mais comum é o táxi ou aplicativo, com custo médio em torno de R$ 100 a R$ 120, dependendo do horário e do trânsito.

Para quem já pagou uma passagem aérea cara, esse custo adicional pesa no bolso e reduz a competitividade do transporte aéreo combinado com o rodoviário.

A visão sistêmica: o passageiro como parte da cadeia produtiva

O transporte aéreo não termina no aeroporto. O passageiro é parte de uma cadeia logística maior, que inclui:

  • Aeroportos

  • Rodoviárias

  • Sistemas metroferroviários

  • Corredores de ônibus

  • Terminais urbanos

Quando esses elementos não conversam entre si, o sistema perde eficiência.

Na prática, o que acontece em Congonhas é um modelo focado apenas no aeroporto, sem integração real com o restante da malha de transporte de passageiros.Impactos diretos dessa falta de integração

A ausência de uma ligação direta entre Congonhas e a rodoviária gera efeitos concretos:

1. Aumento do custo total da viagem

O passageiro paga:

  • Passagem aérea

  • Transporte caro até a rodoviária

Isso encarece o deslocamento e pode até desestimular a viagem.

2. Perda de tempo e produtividade

  • Trânsito intenso

  • Falta de linha direta

  • Necessidade de múltiplas conexões

Tudo isso aumenta o tempo de deslocamento.

3. Redução da eficiência da mobilidade regional

Cidades do interior dependem de São Paulo como hub de transporte.
Sem integração, o sistema se torna:

  • Mais caro

  • Mais lento

  • Menos competitivo

O que outras cidades fazem

Grandes centros internacionais adotam o conceito de multimodalidade, conectando:

  • Aeroportos

  • Trens regionais

  • Metrôs

  • Rodoviárias

Com isso, o passageiro consegue fazer a transição entre modais de forma:

  • Rápida

  • Econômica

  • Previsível

O que poderia ser feito em Congonhas

Algumas soluções simples já melhorariam muito o sistema:

Linha direta aeroporto–rodoviária

  • Ônibus executivo ou semidireto

  • Operação com horários sincronizados aos voos

Integração tarifária

  • Bilhete único intermodal

  • Parcerias entre companhias aéreas e rodoviárias

Corredores exclusivos

  • Redução do tempo de viagem

  • Maior previsibilidade de horáriosUma questão de estratégia, não de infraestrutura

Congonhas é um aeroporto eficiente, moderno e bem localizado.
O problema não está dentro do aeroporto, mas na ausência de uma visão integrada de mobilidade.

Os gestores muitas vezes pensam apenas no terminal aéreo, quando o passageiro faz parte de uma cadeia logística completa, que envolve o deslocamento porta a porta.

Sem integração entre aeroporto e rodoviária, perde:

  • O passageiro

  • O sistema de transporte

  • As cidades do interior

  • A economia regional

Conclusão

Uma cidade do porte de São Paulo, com a importância econômica e logística que possui, não deveria manter um dos seus principais aeroportos sem ligação direta com a principal rodoviária do país.

A integração entre modais não é luxo:
é estratégia de mobilidade, eficiência econômica e respeito ao passageiro.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Ponte Aérea da LATAM com serviço reduzido: quando o passageiro vira um CEDEX...

 


A nova realidade da ponte aérea brasileira

Quem voa com frequência na ponte aérea já percebeu que a experiência de voo mudou. A promessa de eficiência, pontualidade e conforto — que por décadas foi marca registrada desse tipo de operação — vem sendo substituída por um modelo cada vez mais enxuto, principalmente para quem compra as tarifas mais baratas.

Essa ultima semana, ao realizar dois voos na LATAM ponte aérea SP,RJ e RJ,SP, pagando cerca de R$ 1.000,00 ida e volta, a experiência revelou uma contradição clara:

  • Aeronave limpa e em boas condições

  • Tripulação educada e profissional

  • Operação eficiente

Mas, ao sentar, veio o primeiro impacto: assentos mais apertados e próximos, resultado de configurações com maior densidade de passageiros. Algo que já está embutido no modelo tarifário atual, onde o passageiro paga menos pela passagem… e também recebe menos conforto.

O serviço de bordo “segmentado”

Durante o voo, o segundo susto:
O carrinho de serviço passou apenas com água e um pequeno snack para os passageiros das tarifas mais básicas.
Logo à frente, outro carrinho oferecia bebidas variadas e serviço mais completo para quem havia pago tarifas superiores.

Na prática, o que se viu foi uma cabine dividida não por cortina, mas por política tarifária.

O novo conceito: pagar por tudo

O transporte aéreo brasileiro vem adotando, de forma cada vez mais clara, o modelo “unbundled”, ou seja, o passageiro paga separadamente por cada item:

  • Assento mais confortável

  • Bagagem despachada

  • Marcação de assento

  • Serviço de bordo

  • Embarque prioritário

O problema não é o modelo em si, que já é comum no mundo inteiro. A questão é a percepção de valor.
Quando o passageiro paga caro e recebe um serviço mínimo, surge a sensação de estar sendo tratado como carga.

O impacto dos custos e impostos

O setor aéreo brasileiro enfrenta desafios estruturais:

  • Alta carga tributária sobre passagens

  • Combustível caro

  • Taxas aeroportuárias elevadas

  • Câmbio instável

Estima-se que até 35% do valor da passagem seja composto por tributos e encargos indiretos.
Ou seja: o preço é de avião, mas o serviço, em alguns casos, lembra o de um ônibus interestadual.

O passageiro no centro da equação

A ponte aérea sempre foi sinônimo de:

  • Agilidade

  • Conforto

  • Frequência de voos

  • Experiência superior ao transporte rodoviário

Quando o serviço a bordo é reduzido ao mínimo, o passageiro passa a perceber que:

  • O preço continua alto

  • O conforto diminuiu

  • O serviço foi segmentado

  • A experiência deixou de ser especial

E isso afeta diretamente a imagem das companhias aéreas.

O que esperar do futuro da experiência a bordo

O modelo de tarifas segmentadas veio para ficar.
O desafio das companhias será equilibrar:

  • Rentabilidade

  • Custos operacionais

  • Percepção de valor do passageiro

Porque, no final das contas, o transporte aéreo não vende apenas um assento.
Ele vende tempo, conforto, segurança e experiência.

Se a experiência deixa de ser satisfatória, o passageiro sente que pagou caro demais para ser tratado como mais um volume na cabine.

Conclusão

A ponte aérea brasileira continua eficiente, segura e operacionalmente bem executada. Mas a experiência do passageiro mudou. O serviço a bordo, antes padronizado, hoje depende da tarifa comprada.

O resultado é uma sensação incômoda para quem paga caro e recebe pouco:
o preço é de avião, mas o tratamento parece de carga paga.

O setor precisa refletir: até que ponto a redução de serviços impacta a fidelidade e a satisfação do passageiro?

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

A multimodalidade de transportes no escoamento da produção aeroportuária: cargas e passageiros como ativos logísticos

 


Introdução

Tradicionalmente, quando se fala em produção aeroportuária, o foco recai quase exclusivamente sobre a carga aérea. No entanto, essa visão é incompleta. O passageiro também é parte fundamental da produção aeroportuária, pois gera demanda, receita, fluxo econômico e necessidade de escoamento eficiente. Assim, a multimodalidade de transportes deve ser analisada não apenas sob a ótica das mercadorias, mas também da mobilidade do passageiro.

Produção aeroportuária: uma visão ampliada

A produção aeroportuária moderna é composta por dois grandes fluxos:

✈️ Produção de cargas

  • Exportação e importação

  • Correio e encomendas expressas

  • Insumos industriais e perecíveis

  • Produtos de alto valor agregado

👥 Produção de passageiros

  • Viagens a negócios

  • Turismo

  • Mobilidade regional e nacional

  • Conexões intermodais (avião + outros modais)

O passageiro não é apenas um usuário do sistema, mas um ativo econômico em movimento, cujo deslocamento eficiente impacta diretamente a produtividade do aeroporto e da região atendida.

O passageiro como parte do escoamento da produção

Sob a ótica da economia do transporte, o passageiro:

  • Gera receita direta (tarifas aeroportuárias, bilhetes)

  • Gera receita indireta (comércio, serviços, hotelaria)

  • Ativa cadeias produtivas regionais

  • Exige infraestrutura logística integrada

Se o acesso ao aeroporto é ineficiente, o sistema perde competitividade, mesmo que a infraestrutura aérea seja moderna.

Multimodalidade aplicada ao passageiro

A multimodalidade de transportes aplicada ao passageiro envolve a integração do transporte aéreo com:

  • Transporte rodoviário (ônibus intermunicipais, rodovias)

  • Transporte ferroviário (metrô, trens regionais)

  • Transporte urbano de alta capacidade

  • Transporte aquaviário (em cidades costeiras ou ribeirinhas)

Essa integração reduz:

  • Tempo porta-a-porta

  • Custo total da viagem

  • Congestionamentos no entorno aeroportuário

  • Impactos ambientais

Aeroportos como nós de mobilidade e logística

Aeroportos eficientes deixam de ser apenas terminais aéreos e passam a funcionar como nós multimodais, concentrando:

  • Fluxo de passageiros

  • Fluxo de cargas

  • Serviços logísticos

  • Mobilidade urbana e regional

Esse conceito está alinhado aos modelos de Aerotrópole e Airport City, onde o aeroporto se torna um organizador territorial do desenvolvimento econômico.

Integração passageiros + cargas: ganhos sistêmicos

Quando cargas e passageiros são tratados como partes da mesma produção:

✅ Há melhor planejamento de acessos

Rodovias, ferrovias e transporte urbano passam a ser pensados de forma integrada.

✅ O aeroporto amplia sua área de influência

A região atendida cresce, fortalecendo o turismo, a indústria e o comércio.

✅ O sistema se torna mais resiliente

Menor dependência de um único modal reduz riscos operacionais.

O desafio brasileiro

No Brasil, ainda persiste:

  • Forte dependência do transporte rodoviário

  • Baixa integração ferroviária com aeroportos

  • Planejamento urbano dissociado da aviação civil

Órgãos como a ANAC e o Ministério dos Transportes têm papel central na formulação de políticas que reconheçam o passageiro como parte da produção aeroportuária, e não apenas como usuário final.

Multimodalidade, sustentabilidade e qualidade do serviço

Ao integrar o passageiro na lógica da produção aeroportuária, a multimodalidade:

  • Reduz emissões de CO₂

  • Melhora a experiência do usuário

  • Aumenta a pontualidade do sistema

  • Eleva o padrão de serviço do transporte aéreo

Um aeroporto acessível, conectado e eficiente produz mais valor econômico do que um aeroporto isolado.

Conclusão

A multimodalidade de transportes no escoamento da produção aeroportuária precisa reconhecer que passageiros e cargas são partes indissociáveis do mesmo sistema produtivo. Ignorar o passageiro como ativo logístico é comprometer a eficiência do aeroporto e o desenvolvimento regional.

O futuro da aviação civil passa por aeroportos que integrem mobilidade, logística e economia, tratando o passageiro não como custo, mas como elemento central da produção aeroportuária.