Introdução: O mito do “resgate pago” na aviação e no mar
Muita gente acredita que um resgate aéreo — especialmente usando helicópteros e aeronaves militares — gera uma conta alta para a vítima ou para familiares.
Mas no Brasil, assim como na maior parte do mundo, operações de Busca e Salvamento (SAR) fazem parte de um compromisso internacional de proteção à vida.
Seja um avião acidentado, um barco à deriva ou uma baliza ELT/EPIRB/PLB emitindo alerta, o resgate é totalmente gratuito para quem necessita de socorro.
Neste artigo, você entenderá quem banca os custos, por que o sistema funciona assim e como o Brasil está alinhado às normas globais de segurança.
Quem paga o resgate no Brasil? O Estado — e nunca a vítima.
O Brasil é signatário das convenções da ICAO (aviação) e da IMO (marinha), que determinam que salvar vidas é dever do Estado.
Assim, operações SAR são custeadas pelo Governo Federal, via Ministério da Defesa.
1. Resgates Aeronáuticos: Custeados pela FAB
O SALVAERO (Busca e Salvamento Aeronáutico), operado pela Força Aérea Brasileira, é responsável por:
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localizar aeronaves desaparecidas
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responder a ELTs disparadas
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atuar em acidentes na selva, montanhas ou áreas remotas
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realizar missões de evacuação aeromédica em situações específicas
Custo para a vítima: ZERO
Toda a operação — helicóptero, combustível, tripulação, logística e estrutura de satélite — é bancada pelo Estado.
Por quê?
Porque a Convenção de Chicago (ICAO) exige que países membros ofereçam SAR gratuitamente, como parte da segurança da aviação mundial.
2. Resgates Marítimos: Custeados pela Marinha do Brasil
A Marinha coordena o SALVAMAR, responsável por resgates no mar:
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naufrágios
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EPIRB ativadas
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embarcações à deriva
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desaparecimentos em alto-mar
Assim como no sistema aeronáutico, não há cobrança ao resgatado.
A IMO — Organização Marítima Internacional — exige que os países mantenham sistemas de salvamento gratuitos e disponíveis 24h.
3. COSPAS–SARSAT: Satélites que detectam balizas 406 MHz sem custo ao usuário
O programa global que detecta balizas ELT, EPIRB e PLB em 406 MHz é gratuito desde sua criação, em 1982.
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Nenhuma taxa para ativação
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Nenhuma taxa para localização
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Nenhuma taxa para repasse aos países
Os custos são divididos entre os membros do programa.
4. E os resgates terrestres?
No Brasil, operações feitas por:
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Bombeiros
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Defesa Civil
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Grupamentos especializados
também não cobram pelo salvamento de vidas.
Exceções raras
Alguns estados podem aplicar multas administrativas quando o resgate foi gerado por infração:
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entrada ilegal em áreas restritas
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práticas proibidas em parques ambientais
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atividades de risco deliberado sem autorização
Mas isso não é cobrança pelo resgate — é multa por violação da lei.
Quanto custa um resgate para o Estado?
Os valores não são cobrados da vítima, mas as operações podem custar:
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R$ 50 mil a R$ 200 mil para helicópteros em missões longas
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R$ 300 mil a R$ 1 milhão em missões aeronáuticas complexas
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Navios da Marinha podem ultrapassar R$ 500 mil por dia
Apesar do custo alto, o princípio básico é:
🔥 Salvar vidas está acima de qualquer valor.
Por que o SAR é gratuito? Os 3 princípios internacionais
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Princípio da proteção à vida humana
A vida é prioridade absoluta. -
Responsabilidade estatal sobre espaço aéreo e marítimo
O Estado responde por incidentes em sua área de responsabilidade. -
Cooperação internacional
Brasil, ICAO, IMO e COSPAS–SARSAT atuam em rede global.
Conclusão: No Brasil, ninguém paga pelo resgate — nunca.
O sistema SAR é um dos pilares da segurança aeronáutica e marítima.
Pilotos, navegadores e aventureiros podem operar com confiança, sabendo que:
✔ o resgate é garantido
✔ é gratuito
✔ funciona 24 horas
✔ cobre terra, mar e céu
✔ segue padrões internacionais
Quando uma vida está em risco, não existe cobrança, não existem taxas, não existe fatura.
Existe apenas a missão: salvar.

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Marcuss Silva Reis