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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Tripulantes: custo fixo ou variável?

 


Uma análise sob a ótica da economia e dos negócios

A discussão sobre se tripulantes são custo fixo ou variável vai além de uma simples classificação contábil. Trata-se de uma decisão estratégica que impacta segurança, produtividade, reputação da empresa e sustentabilidade do negócio.

No setor aéreo, onde a margem é apertada e os ciclos econômicos são intensos, entender a natureza desse custo é essencial.

Conceitos básicos: custo fixo x custo variável

Na economia e na contabilidade gerencial:

Custos fixos

  • Não variam diretamente com a produção.

  • Ex.: leasing de aeronaves, salários administrativos, seguros.

Custos variáveis

  • Aumentam ou diminuem conforme a operação.

  • Ex.: combustível, taxas aeroportuárias, catering, horas extras.

A questão é: onde entram os tripulantes?

A visão contábil tradicional

Do ponto de vista estritamente contábil, a tripulação costuma ser classificada como custo variável, porque:

  • Parte da remuneração depende das horas voadas.

  • Há pagamento de:

    • Diárias.

    • Adicionais.

    • Horas extras.

  • A necessidade de tripulação cresce com:

    • Expansão da frota.

    • Aumento de frequências.

    • Crescimento da demanda.

Ou seja, mais voos = mais tripulantes necessários.A visão econômica e estratégica

Sob a ótica da economia dos negócios, a realidade é diferente.

Tripulantes têm características de custo fixo estratégico

Porque:

  1. Formação longa e cara

    • Um piloto comercial pode levar anos para atingir os requisitos mínimos.

    • O investimento pode chegar a dezenas ou centenas de milhares de dólares.

  2. Certificação regulatória

    • Treinamentos obrigatórios.

    • Simuladores.

    • Checagens periódicas.

  3. Baixa elasticidade de oferta

    • Não é possível aumentar rapidamente o número de pilotos no mercado.

    • A oferta responde lentamente à demanda.

  4. Impacto direto na segurança

    • Experiência e estabilidade de tripulação influenciam a operação.

O conceito de custo semi-fixo

Na prática, o custo com tripulantes é melhor classificado como:

Custo semi-fixo (ou escalonado)

Porque:

  • Existe um número mínimo de tripulantes necessário para operar a malha.

  • Mesmo com redução de voos, a empresa precisa manter:

    • Tripulações de reserva.

    • Instrutores.

    • Checadores.

    • Estrutura de treinamento.

Mas quando a operação cresce:

  • É necessário contratar e treinar novas tripulações.

  • O custo sobe em “degraus”, não de forma linear.

O erro estratégico de tratar tripulantes como custo puramente variável

Quando a empresa tenta ajustar tripulantes como se fossem combustível ou catering, surgem problemas:

Efeitos comuns

  • Demissões em massa em crises.

  • Falta de tripulantes na retomada.

  • Cancelamentos por falta de tripulação.

  • Aumento de custos com contratação emergencial.

  • Perda de experiência operacional.

Isso foi visto globalmente no pós-pandemia.

O ciclo econômico da mão de obra na aviação

O setor aéreo vive um padrão recorrente:

  1. Crise econômica → demissões de tripulantes.

  2. Retomada da demanda → falta de profissionais.

  3. Aumento de salários e bônus.

  4. Expansão da formação.

  5. Novo excesso de oferta no ciclo seguinte.

Esse fenômeno mostra que tripulantes não são um insumo comum, mas sim um recurso estratégico.

Comparação com outros custos da aviação

ItemNatureza econômica
CombustívelVariável puro
Taxas aeroportuáriasVariável
Leasing de aeronavesFixo
Manutenção programadaSemi-fixo
TripulantesSemi-fixo estratégico

A visão das companhias mais bem-sucedidas

Empresas que tratam tripulantes como ativo estratégico costumam:

  • Investir em carreira de longo prazo.

  • Manter programas de retenção.

  • Evitar demissões abruptas em crises.

  • Preservar cultura de segurança.

O resultado costuma ser:

  • Menor rotatividade.

  • Menos cancelamentos.

  • Maior confiabilidade operacional.

  • Melhor reputação de marca.

Conclusão

Sob a ótica contábil, tripulantes podem parecer custos variáveis.
Mas, sob a ótica econômica e estratégica, são claramente custos semi-fixos e ativos essenciais do negócio.

Companhias que não entendem essa diferença tendem a enfrentar:

  • Crises de mão de obra.

  • Aumento de custos operacionais.

  • Perda de competitividade.

Já as que tratam tripulantes como capital humano estratégico constroem operações mais estáveis, seguras e rentáveis no longo prazo.

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Marcuss Silva Reis