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sexta-feira, 20 de março de 2026

O que fazer quando o velocímetro para de funcionar em voo? Um caso real na aviação geral

 



Quando o velocímetro simplesmente para

Quem voa na aviação geral sabe que alguns dos maiores aprendizados não vêm dos livros, mas das situações inesperadas que surgem durante o voo.

Em um treinamento de toque e arremetida no Aeroporto de Maricá, em um dia típico de verão — muito calor, vento forte e sol de janeiro, aconteceu uma situação que todo piloto aprende na teoria, mas poucos enfrentam na prática:

o velocímetro simplesmente deixou de funcionar.

Treinamento de pousos em vento forte

Era por volta de meio-dia, horário em que o vento costuma ficar mais forte na região.

A ideia do treinamento era justamente essa: afiar a técnica de aproximação dos alunos em fase final de instrução.

Após alguns circuitos, no quinto ou sexto pouso, resolvi aproveitar o vento forte para trabalhar melhor a minha técnica de  aproximação.Falei para o aluno: Deixa eu fazer esse:Ele relaxou recostando na cadeira e la fui eu......

Entortei o avião na final para compensar o vento e alinhar corretamente com a pista.

O toque ocorreu cerca de 100 metros dentro da pista, algo esperado considerando as rajadas.

Ao iniciar a arremetida,enchi a mão (apliquei potência total).

Foi quando percebi algo estranho.

O velocímetro não reagiu

Mesmo com potência total, o velocímetro simplesmente não respondeu.

Naquele momento já não havia espaço para abortar a arremetida. A pista de Maricá não é longa, e o toque já havia ocorrido.

A solução foi imediata e instintiva.

Baixei levemente o nariz da aeronave para manter uma atitude que indicasse ganho de velocidade, mesmo sem a indicação do instrumento.

Reduzi a potência para cerca de 2400 RPM e mantive uma subida suave.

A aeronave estava respondendo normalmente.

Isso era um bom sinal.O aluno não dava um pio,ficou tenso,(eu também) mas o voo era meu e o responsável pela lambança ou sucesso era exclusimante meu.....

Decisão operacional

Durante a subida avaliei as opções.

Se voltasse imediatamente para Maricá, provavelmente ficaria preso no aeródromo aguardando manutenção.

Como a aeronave estava controlável, decidi seguir para o Aeroporto Santos Dumont (SBRJ).

Subi até 1500 pés e contatei o Controle Rio já próximo da região de Itaquatiara.

Foi feita coordenação com a Torre do Rio, e declarei emergência devido à ausência de indicação de velocidade.

Aproximação sem indicação de velocidade

Inicialmente solicitei aproximação direta para a pista 02.

Mas naquele dia o vento também estava forte no Rio.

Quem conhece o Santos Dumont sabe que a cabeceira 02 pode ser bastante turbulenta em determinadas condições de vento.

Sem velocímetro, isso poderia complicar a aproximação.

Decidi então cancelar a aproximação direta e solicitar entrada na perna do vento da pista 20.

Era uma opção mais estável.

Voar sem velocímetro

A tensão existia, naturalmente.

Mas havia um fator importante: eu voava frequentemente o PT-LOI naquela época e conhecia bem o comportamento da aeronave.

Conduzi a aproximação utilizando:

  • atitude da aeronave

  • potência

  • sensação aerodinâmica

  • referências visuais

Métodos clássicos ensinados na instrução básica.

O pouso ocorreu perfeitamente.

Mais um voo concluído.

Mais uma lição da aviação.

A causa da pane

Após a inspeção da aeronave descobrimos o motivo da falha.

Terra havia entrado no tubo de Pitot, bloqueando a pressão dinâmica responsável pela indicação de velocidade.

Esse tipo de pane pode ocorrer por:

  • poeira

  • insetos

  • sujeira acumulada no solo

  • falta de proteção no pitot durante o estacionamento

O que esse episódio ensina aos pilotos

Esse caso reforça algumas lições importantes da aviação geral:

✔ conhecer profundamente a atitude de voo da aeronave
✔ não depender exclusivamente dos instrumentos
✔ utilizar potência e atitude como referência
✔ manter calma para tomar decisões

Na aviação, muitas vezes a diferença entre um incidente e um acidente está na capacidade do piloto de interpretar o comportamento da aeronave.

Conclusão

Hoje, ao observar muitos acidentes na aviação geral, lembro de algumas situações como essa.

Momentos em que experiência, treinamento, um pouco de sorte e — para muitos pilotos — a mão do Criador ajudam a transformar um problema sério em apenas mais uma história da instrução de voo.

Naquele dia em Maricá, o velocímetro parou.

Mas o aprendizado continuou para o instrutor e para o aluno.

Marcuss Silva Reis

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