A aviação brasileira atravessaum dos momentos mais delicados de sua história recente. Enquanto países vizinhos adotam políticas agressivas para atrair operações aéreas, reduzir custos e fortalecer seus hubs internacionais, o Brasil parece caminhar na direção oposta.
O Paraguai acaba de zerar impostos sobre voos internacionais, criando um ambiente extremamente competitivo para empresas aéreas e passageiros. Ao mesmo tempo, o Congresso Nacional brasileiro discute propostas que podem ampliar drasticamente os custos operacionais da aviação nacional, como o debate sobre o fim da escala 6x1 e projetos ligados à abertura indiscriminada da cabotagem aérea.
Para muitos profissionais do setor, o problema deixou de ser apenas perda de competitividade.
O risco agora é de colapso financeiro, desestruturação da malha aérea nacional e enfraquecimento definitivo da presença brasileira no transporte aéreo internacional.
A Sensação no Setor é de Desconexão Total da Realidade
Grande parte da comunidade aeronáutica observa com preocupação o fato de que temas extremamente complexos e estratégicos para o país parecem estar sendo tratados sem o devido aprofundamento técnico.
A aviação não funciona baseada em discursos políticos ou slogans ideológicos.
Ela funciona baseada em:
- produtividade operacional;
- viabilidade econômica;
- logística;
- segurança operacional;
- conectividade;
- sustentabilidade financeira.
Quando decisões políticas aumentam custos sem considerar a dinâmica real do setor, o impacto pode ser devastador.
E é exatamente isso que muitos enxergam hoje no debate envolvendo a escala 6x1 e a PL da cabotagem.
O Fim da Escala 6x1 Pode Explodir Custos Operacionais
A aviação opera 24 horas por dia.
Pilotos, comissários, mecânicos, despachantes operacionais, equipes aeroportuárias e manutenção trabalham em regime contínuo porque o sistema aéreo simplesmente não pode parar.
Alterações estruturais em escalas operacionais sem planejamento técnico profundo podem gerar:
- aumento explosivo de custos trabalhistas;
- necessidade de novas contratações em massa;
- redução de produtividade;
- encarecimento das passagens;
- inviabilização de rotas regionais;
- fechamento de operações.
A preocupação do setor não é ideológica.
É matemática.
Empresas aéreas operam com margens extremamente apertadas. Pequenos aumentos de custo já tornam diversas rotas inviáveis economicamente.
A PL da Cabotagem Também Gera Forte Reação no Setor
Outro ponto que vem provocando críticas é a proposta de ampliação da cabotagem aérea.
Muitos profissionais enxergam o projeto como desconectado das reais necessidades da aviação brasileira.
O argumento é simples:
o Brasil ainda não resolveu problemas estruturais internos da própria aviação nacional, como:
- custos elevados;
- infraestrutura desigual;
- excesso de judicialização;
- combustível caro;
- baixa competitividade tributária;
- fragilidade da aviação regional.
Mesmo assim, discute-se abrir espaço para operadores estrangeiros em um ambiente onde as empresas brasileiras já lutam pela sobrevivência financeira.
Dentro do setor, cresce o temor de que isso provoque:
- perda de mercado;
- enfraquecimento das empresas nacionais;
- redução de empregos especializados;
- concentração operacional em grupos internacionais;
- dependência crescente de operadores estrangeiros.
Enquanto Isso, Países Vizinhos Avançam
O contraste regional é cada vez mais evidente.
Enquanto o Brasil discute aumento de custos e abertura de mercado em meio a uma estrutura fragilizada, países vizinhos trabalham para atrair investimentos e operações.
O Paraguai zerando impostos sobre voos internacionais talvez seja um dos exemplos mais claros disso.
O passageiro brasileiro rapidamente perceberá que poderá viajar mais barato embarcando fora do país.
E as companhias aéreas também perceberão onde a operação se torna mais rentável.
O mercado reage rápido.
Muito mais rápido que a política.
Quem Está Pensando na Aviação Brasileira?
Essa pergunta começa a ecoar com força entre profissionais da aviação comercial, geral e regional.
A sensação de muitos é que o Congresso Nacional parece cada vez mais distante dos problemas reais do país e excessivamente concentrado em disputas políticas internas, interesses partidários e agendas desconectadas da realidade operacional brasileira.
Enquanto isso, temas de extrema gravidade econômica e estratégica recebem tratamento superficial.
A aviação não é luxo.
Ela é:
- infraestrutura;
- desenvolvimento econômico;
- integração nacional;
- turismo;
- logística;
- soberania operacional;
- conectividade internacional.
Enfraquecer esse setor pode gerar consequências profundas para toda a economia brasileira.
O Brasil Precisa Decidir se Quer Ter Uma Aviação Forte ou Dependente
A história mostra que países fortes economicamente possuem aviação forte.
Protegem seus hubs.
Fortalecem suas empresas.
Criam ambiente competitivo.
Reduzem barreiras operacionais.
Tratam conectividade aérea como assunto estratégico de Estado.
O Brasil parece caminhar perigosamente em sentido contrário.
E a consequência pode ser vista no futuro através de:
- menos voos;
- passagens mais caras;
- perda de empregos;
- enfraquecimento das empresas nacionais;
- dependência crescente de hubs estrangeiros;
- risco real de falências no setor.
A aviação brasileira precisa de planejamento estratégico.
Não de decisões políticas desconectadas da realidade operacional.

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Marcuss Silva Reis