A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) iniciou procedimentos para demitir dois controladores de tráfego aéreo do Aeroporto LaGuardia, em Nova York. Segundo informações publicadas pelo The Wall Street Journal e confirmadas pela Reuters, os profissionais teriam deixado o trabalho antes do término de seus turnos na noite do acidente envolvendo o voo Air Canada Express 8646.
Os controladores teriam saído aproximadamente uma hora antes do horário previsto, em 22 de março de 2026. Com isso, apenas dois profissionais permaneceram na torre para administrar uma operação particularmente complexa, marcada por tempestades, atrasos e volume elevado de movimentos.
Mais tarde, o voo 8646, operado pela Jazz Aviation em nome da Air Canada Express, colidiu com um caminhão de combate a incêndio enquanto pousava na pista 4 de LaGuardia. A aeronave era um CRJ-900, matrícula C-GNJZ, procedente de Montreal.
O comandante e o primeiro-oficial morreram. Segundo os dados preliminares do National Transportation Safety Board (NTSB), 39 pessoas foram encaminhadas a hospitais, seis delas com ferimentos graves. A investigação permanece em andamento. NTSB
A prática conhecida como “early shove”
A saída antecipada de controladores após o cumprimento das tarefas designadas é conhecida informalmente no setor como early shove. De acordo com profissionais ouvidos pela Reuters, essa prática teria sido tolerada durante anos em algumas instalações, especialmente nos períodos de menor movimento.
A FAA, porém, vem adotando uma postura mais rigorosa. Sair antes do término do turno e registrar o período integral como trabalhado pode ser tratado administrativamente como fraude no controle de horas.
O sindicato National Air Traffic Controllers Association informou que está discutindo as acusações com a direção da FAA, mas não apresentou comentários adicionais. A agência declarou que pretende responsabilizar seus funcionários sempre que houver irregularidades capazes de afetar a segurança ou a eficiência do sistema de tráfego aéreo. Reuters
Demissão não significa definição da causa
É fundamental separar os dois processos.
A eventual demissão está relacionada às supostas saídas antecipadas e ao registro das horas de trabalho. Isso não significa que o NTSB tenha concluído que a ausência desses profissionais ou o efetivo existente na torre causou o acidente.
A investigação ainda analisa a organização das posições de controle, a carga de trabalho, as comunicações, a movimentação dos veículos de emergência e o funcionamento das barreiras tecnológicas de prevenção de colisões em pista.
Até o momento, não existe relatório final estabelecendo causas prováveis ou responsabilidades. Qualquer relação direta entre a saída antecipada dos controladores e a colisão seria, portanto, uma conclusão prematura.
O episódio, contudo, amplia o debate sobre efetivo, supervisão, disciplina operacional e carga de trabalho no controle de tráfego aéreo dos Estados Unidos. Em segurança de voo, práticas administrativas aparentemente distantes da operação podem reduzir margens de proteção quando coincidem com tráfego intenso, condições meteorológicas adversas e situações de emergência.
Fontes: NTSB, Reuters e The Wall Street Journal.
Marcuss Silva Reis
Piloto Comercial de asas fixas | Piloto da aviação geral | Perito judicial em aviação | Economista | Pós-graduado em Ciências Aeronáuticas, Segurança da Aviação Civil e Docência do Ensino Superior | Ex-instrutor de escolas de aviação civil | Professor universitário
Fundador do Instituto do Ar

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Marcuss Silva Reis