DCI - 28/06/2013
Dólar e combustível ameaçam expansão das aéreas do País
SÃO PAULO
Mesmo em meio a todos os investimentos do governo federal em infraestrutura - inclusive na tentativa de estimular a concorrência entre as empresas do setor aéreo brasileiro, subsidiando voos de empresas que operam em rotas de menor densidade - a insatisfação com o preço dos combustíveis para o transporte aéreo ainda é generalizada entre os maiores players do setor, e não há data prevista para que os valores tenham redução.
O assunto tomou conta ontem do debate entre representantes de empresas aéreas no I Seminário AeroBrasil, promovido em São Paulo pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). "Os números do mercado não são bonitos, a volatilidade do dólar, que oscilou pelo menos 15% nas últimas semanas, nos atrapalhou bastante e o preço do combustível ainda é o maior do mundo", destacou o presidente da Avianca, José Efromovich. "O custo do querosene [de aviação] representa 43% do preço da passagem, enquanto para as empresas estrangeiras esse reflexo é inferior a 33%. Isso impede a competitividade".
Apesar do crescimento médio entre 8% e 10% ao ano no número de passageiros nos últimos dez anos, as duas maiores aéreas do País, TAM e Gol, tiveram, juntas, prejuízo de R$ 2,7 bilhões em 2012. As perdas mais que dobraram na comparação com o ano anterior, quando os prejuízos, somaram R$ 1,086 bilhão. 5
Apesar das queixas, o presidente da Avianca destaca que a substituição de aeronaves por outras maiores tem impulsionado o crescimento da empresa e aposta na demanda criada pelo investimento de mais de R$ 7 bilhões pelo governo federal em 270 aeroportos regionais pelo Brasil. "Crescemos porque substituímos a maior parte da frota por aviões maiores e oferecemos um bom serviço", disse Efromovich.
Acompanhada da Azul/Trip, a Avianca ganhou terreno no ano passado, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), crescendo 45% e aumentando a representação no mercado de 3,8% para 5,51%.
Apesar de endossar a reclamação da Avianca sobre combustíveis, as ainda líderes TAM e Gol apostam nos incentivos do governo federal para a aviação regional para crescer nos próximos anos. "Estamos construindo um bom convívio com as concessionárias, e temos vocação natural para o mercado regional", declarou o diretor de assuntos regulatórios da TAM, Basílio Dias. "Além disso, é claro, investimos na manutenção da nossa frota, que é bastante jovem e na revisão constante da malha aérea. Com tudo isso, teremos condições de oferecer um bom serviço em rotas de grande densidade durante a Copa de 2014 e poderemos atuar em rotas de menor densidade".
Para o especialista em aviação do ITA, Carlos Muller, o maior desafio do setor é transformar os aeroportos regionais para que eles deem lucro. "Esse trabalho deverá obrigar o poder concedente a bancar integralmente os aeroportos, a princípio", opinou o especialista.
A um ano da Copa do Mundo no Brasil, os consórcios que administram os principais aeroportos do País prometem que não haverá problemas para receber a demanda durante o evento.
Os aeroportos de Guarulhos, Brasília e Campinas foram concedidos à iniciativa privada no ano passado. Já Galeão (RJ) e Confins (MG), deverão ser leiloados até o fim deste ano.
"Em Guarulhos, passamos da fase das promessas e chegamos às entregas. Já criamos um edifício garagem com 3 mil vagas para estacionamento, fizemos a expansão do terminal 2, ampliamos o Duty Free e temos feito entregas mensais de instalações. Além disso, vamos entregar, até o fim do ano, o terminal 3, que deverá melhorar muito a capacidade do aeroporto", disse o presidente da GRU Airport, Antônio Miguel Marques, após ressaltar as dificuldades encontradas pela administração, diante de um aeroporto sem melhorias há 30 anos, com movimentação de 37 milhões de passageiros no ano passado.
Já o presidente do consórcio Viracopos Aeroportos Brasil, Luís Alberto Kuster, pediu a revisão pelo governo das leis de aduana e reforçou a necessidade de investimentos em tecnologia nesse tipo de serviço.
"Falamos muito dos megaeventos, mas há uma grande oportunidade na carga aérea nacional, até mesmo para subsidiar o transporte de passageiros, mas os processos aduaneiros precisam ser modernizados. No Brasil demoramos 50 horas para liberar uma carga, quando nos Estados Unidos isso é feito em 5 horas", afirmou.
O diretor presidente da Anac, Marcelo Guaranys, observou que, no caso dos dois aeroportos, a tendência é de melhora gradual do serviço, já que se estabelece uma relação de concorrência entre os consórcios. "Naturalmente, dada a proximidade dos dois, a tendência é que a concorrência entre Cumbica e Viracopos se torne cada vez maior. Concorrência que continua existindo, aliás, com a Infraero, em Congonhas", disse. "Os consórcios devem disputar cada vez mais a preferência, inicialmente das empresas aéreas, que refletirá na preferência do usuário. Isso vai refletir na melhoria do serviço", apostou.
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