São Paulo é o principal polo econômico do Brasil e abriga um dos aeroportos mais movimentados da América Latina: o Aeroporto de Congonhas. Com sua localização central e forte presença na ponte aérea Rio–São Paulo, Congonhas é símbolo de eficiência operacional e alta demanda corporativa.
Por outro lado, a cidade também concentra o maior terminal rodoviário do país, o Terminal Rodoviário do Tietê, porta de entrada e saída para centenas de cidades do interior paulista e de outros estados.
O que chama atenção é um detalhe estratégico: não existe uma ligação direta e eficiente entre esses dois polos de transporte.
O problema: aeroporto moderno, acesso fragmentado
Hoje, o passageiro que desembarca em Congonhas e precisa seguir viagem para o interior enfrenta um cenário pouco integrado:
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Não há linha direta de ônibus entre o aeroporto e a rodoviária.
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O transporte público exige baldeações e tempo elevado de deslocamento.
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A alternativa mais comum é o táxi ou aplicativo, com custo médio em torno de R$ 100 a R$ 120, dependendo do horário e do trânsito.
Para quem já pagou uma passagem aérea cara, esse custo adicional pesa no bolso e reduz a competitividade do transporte aéreo combinado com o rodoviário.
A visão sistêmica: o passageiro como parte da cadeia produtiva
O transporte aéreo não termina no aeroporto. O passageiro é parte de uma cadeia logística maior, que inclui:
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Aeroportos
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Rodoviárias
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Sistemas metroferroviários
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Corredores de ônibus
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Terminais urbanos
Quando esses elementos não conversam entre si, o sistema perde eficiência.
Na prática, o que acontece em Congonhas é um modelo focado apenas no aeroporto, sem integração real com o restante da malha de transporte de passageiros.Impactos diretos dessa falta de integração
A ausência de uma ligação direta entre Congonhas e a rodoviária gera efeitos concretos:
1. Aumento do custo total da viagem
O passageiro paga:
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Passagem aérea
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Transporte caro até a rodoviária
Isso encarece o deslocamento e pode até desestimular a viagem.
2. Perda de tempo e produtividade
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Trânsito intenso
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Falta de linha direta
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Necessidade de múltiplas conexões
Tudo isso aumenta o tempo de deslocamento.
3. Redução da eficiência da mobilidade regional
Cidades do interior dependem de São Paulo como hub de transporte.
Sem integração, o sistema se torna:
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Mais caro
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Mais lento
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Menos competitivo
O que outras cidades fazem
Grandes centros internacionais adotam o conceito de multimodalidade, conectando:
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Aeroportos
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Trens regionais
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Metrôs
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Rodoviárias
Com isso, o passageiro consegue fazer a transição entre modais de forma:
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Rápida
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Econômica
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Previsível
O que poderia ser feito em Congonhas
Algumas soluções simples já melhorariam muito o sistema:
Linha direta aeroporto–rodoviária
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Ônibus executivo ou semidireto
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Operação com horários sincronizados aos voos
Integração tarifária
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Bilhete único intermodal
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Parcerias entre companhias aéreas e rodoviárias
Corredores exclusivos
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Redução do tempo de viagem
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Maior previsibilidade de horáriosUma questão de estratégia, não de infraestrutura
Congonhas é um aeroporto eficiente, moderno e bem localizado.
O problema não está dentro do aeroporto, mas na ausência de uma visão integrada de mobilidade.
Os gestores muitas vezes pensam apenas no terminal aéreo, quando o passageiro faz parte de uma cadeia logística completa, que envolve o deslocamento porta a porta.
Sem integração entre aeroporto e rodoviária, perde:
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O passageiro
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O sistema de transporte
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As cidades do interior
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A economia regional
Conclusão
Uma cidade do porte de São Paulo, com a importância econômica e logística que possui, não deveria manter um dos seus principais aeroportos sem ligação direta com a principal rodoviária do país.
A integração entre modais não é luxo:
é estratégia de mobilidade, eficiência econômica e respeito ao passageiro.

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Marcuss Silva Reis