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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Congonhas sem ligação direta com a rodoviária: um gargalo na multimodalidade mobilidade de passageiros em São Paulo

 


São Paulo é o principal polo econômico do Brasil e abriga um dos aeroportos mais movimentados da América Latina: o Aeroporto de Congonhas. Com sua localização central e forte presença na ponte aérea Rio–São Paulo, Congonhas é símbolo de eficiência operacional e alta demanda corporativa.

Por outro lado, a cidade também concentra o maior terminal rodoviário do país, o Terminal Rodoviário do Tietê, porta de entrada e saída para centenas de cidades do interior paulista e de outros estados.

O que chama atenção é um detalhe estratégico: não existe uma ligação direta e eficiente entre esses dois polos de transporte.

O problema: aeroporto moderno, acesso fragmentado

Hoje, o passageiro que desembarca em Congonhas e precisa seguir viagem para o interior enfrenta um cenário pouco integrado:

  • Não há linha direta de ônibus entre o aeroporto e a rodoviária.

  • O transporte público exige baldeações e tempo elevado de deslocamento.

  • A alternativa mais comum é o táxi ou aplicativo, com custo médio em torno de R$ 100 a R$ 120, dependendo do horário e do trânsito.

Para quem já pagou uma passagem aérea cara, esse custo adicional pesa no bolso e reduz a competitividade do transporte aéreo combinado com o rodoviário.

A visão sistêmica: o passageiro como parte da cadeia produtiva

O transporte aéreo não termina no aeroporto. O passageiro é parte de uma cadeia logística maior, que inclui:

  • Aeroportos

  • Rodoviárias

  • Sistemas metroferroviários

  • Corredores de ônibus

  • Terminais urbanos

Quando esses elementos não conversam entre si, o sistema perde eficiência.

Na prática, o que acontece em Congonhas é um modelo focado apenas no aeroporto, sem integração real com o restante da malha de transporte de passageiros.Impactos diretos dessa falta de integração

A ausência de uma ligação direta entre Congonhas e a rodoviária gera efeitos concretos:

1. Aumento do custo total da viagem

O passageiro paga:

  • Passagem aérea

  • Transporte caro até a rodoviária

Isso encarece o deslocamento e pode até desestimular a viagem.

2. Perda de tempo e produtividade

  • Trânsito intenso

  • Falta de linha direta

  • Necessidade de múltiplas conexões

Tudo isso aumenta o tempo de deslocamento.

3. Redução da eficiência da mobilidade regional

Cidades do interior dependem de São Paulo como hub de transporte.
Sem integração, o sistema se torna:

  • Mais caro

  • Mais lento

  • Menos competitivo

O que outras cidades fazem

Grandes centros internacionais adotam o conceito de multimodalidade, conectando:

  • Aeroportos

  • Trens regionais

  • Metrôs

  • Rodoviárias

Com isso, o passageiro consegue fazer a transição entre modais de forma:

  • Rápida

  • Econômica

  • Previsível

O que poderia ser feito em Congonhas

Algumas soluções simples já melhorariam muito o sistema:

Linha direta aeroporto–rodoviária

  • Ônibus executivo ou semidireto

  • Operação com horários sincronizados aos voos

Integração tarifária

  • Bilhete único intermodal

  • Parcerias entre companhias aéreas e rodoviárias

Corredores exclusivos

  • Redução do tempo de viagem

  • Maior previsibilidade de horáriosUma questão de estratégia, não de infraestrutura

Congonhas é um aeroporto eficiente, moderno e bem localizado.
O problema não está dentro do aeroporto, mas na ausência de uma visão integrada de mobilidade.

Os gestores muitas vezes pensam apenas no terminal aéreo, quando o passageiro faz parte de uma cadeia logística completa, que envolve o deslocamento porta a porta.

Sem integração entre aeroporto e rodoviária, perde:

  • O passageiro

  • O sistema de transporte

  • As cidades do interior

  • A economia regional

Conclusão

Uma cidade do porte de São Paulo, com a importância econômica e logística que possui, não deveria manter um dos seus principais aeroportos sem ligação direta com a principal rodoviária do país.

A integração entre modais não é luxo:
é estratégia de mobilidade, eficiência econômica e respeito ao passageiro.

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Marcuss Silva Reis