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terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Ponte Aérea da LATAM com serviço reduzido: quando o passageiro vira um CEDEX...

 


A nova realidade da ponte aérea brasileira

Quem voa com frequência na ponte aérea já percebeu que a experiência de voo mudou. A promessa de eficiência, pontualidade e conforto — que por décadas foi marca registrada desse tipo de operação — vem sendo substituída por um modelo cada vez mais enxuto, principalmente para quem compra as tarifas mais baratas.

Essa ultima semana, ao realizar dois voos na LATAM ponte aérea SP,RJ e RJ,SP, pagando cerca de R$ 1.000,00 ida e volta, a experiência revelou uma contradição clara:

  • Aeronave limpa e em boas condições

  • Tripulação educada e profissional

  • Operação eficiente

Mas, ao sentar, veio o primeiro impacto: assentos mais apertados e próximos, resultado de configurações com maior densidade de passageiros. Algo que já está embutido no modelo tarifário atual, onde o passageiro paga menos pela passagem… e também recebe menos conforto.

O serviço de bordo “segmentado”

Durante o voo, o segundo susto:
O carrinho de serviço passou apenas com água e um pequeno snack para os passageiros das tarifas mais básicas.
Logo à frente, outro carrinho oferecia bebidas variadas e serviço mais completo para quem havia pago tarifas superiores.

Na prática, o que se viu foi uma cabine dividida não por cortina, mas por política tarifária.

O novo conceito: pagar por tudo

O transporte aéreo brasileiro vem adotando, de forma cada vez mais clara, o modelo “unbundled”, ou seja, o passageiro paga separadamente por cada item:

  • Assento mais confortável

  • Bagagem despachada

  • Marcação de assento

  • Serviço de bordo

  • Embarque prioritário

O problema não é o modelo em si, que já é comum no mundo inteiro. A questão é a percepção de valor.
Quando o passageiro paga caro e recebe um serviço mínimo, surge a sensação de estar sendo tratado como carga.

O impacto dos custos e impostos

O setor aéreo brasileiro enfrenta desafios estruturais:

  • Alta carga tributária sobre passagens

  • Combustível caro

  • Taxas aeroportuárias elevadas

  • Câmbio instável

Estima-se que até 35% do valor da passagem seja composto por tributos e encargos indiretos.
Ou seja: o preço é de avião, mas o serviço, em alguns casos, lembra o de um ônibus interestadual.

O passageiro no centro da equação

A ponte aérea sempre foi sinônimo de:

  • Agilidade

  • Conforto

  • Frequência de voos

  • Experiência superior ao transporte rodoviário

Quando o serviço a bordo é reduzido ao mínimo, o passageiro passa a perceber que:

  • O preço continua alto

  • O conforto diminuiu

  • O serviço foi segmentado

  • A experiência deixou de ser especial

E isso afeta diretamente a imagem das companhias aéreas.

O que esperar do futuro da experiência a bordo

O modelo de tarifas segmentadas veio para ficar.
O desafio das companhias será equilibrar:

  • Rentabilidade

  • Custos operacionais

  • Percepção de valor do passageiro

Porque, no final das contas, o transporte aéreo não vende apenas um assento.
Ele vende tempo, conforto, segurança e experiência.

Se a experiência deixa de ser satisfatória, o passageiro sente que pagou caro demais para ser tratado como mais um volume na cabine.

Conclusão

A ponte aérea brasileira continua eficiente, segura e operacionalmente bem executada. Mas a experiência do passageiro mudou. O serviço a bordo, antes padronizado, hoje depende da tarifa comprada.

O resultado é uma sensação incômoda para quem paga caro e recebe pouco:
o preço é de avião, mas o tratamento parece de carga paga.

O setor precisa refletir: até que ponto a redução de serviços impacta a fidelidade e a satisfação do passageiro?

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Marcuss Silva Reis