A nova realidade da ponte aérea brasileira
Quem voa com frequência na ponte aérea já percebeu que a experiência de voo mudou. A promessa de eficiência, pontualidade e conforto — que por décadas foi marca registrada desse tipo de operação — vem sendo substituída por um modelo cada vez mais enxuto, principalmente para quem compra as tarifas mais baratas.
Essa ultima semana, ao realizar dois voos na LATAM ponte aérea SP,RJ e RJ,SP, pagando cerca de R$ 1.000,00 ida e volta, a experiência revelou uma contradição clara:
Aeronave limpa e em boas condições
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Tripulação educada e profissional
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Operação eficiente
Mas, ao sentar, veio o primeiro impacto: assentos mais apertados e próximos, resultado de configurações com maior densidade de passageiros. Algo que já está embutido no modelo tarifário atual, onde o passageiro paga menos pela passagem… e também recebe menos conforto.
O serviço de bordo “segmentado”
Durante o voo, o segundo susto:
O carrinho de serviço passou apenas com água e um pequeno snack para os passageiros das tarifas mais básicas.
Logo à frente, outro carrinho oferecia bebidas variadas e serviço mais completo para quem havia pago tarifas superiores.
Na prática, o que se viu foi uma cabine dividida não por cortina, mas por política tarifária.
O novo conceito: pagar por tudo
O transporte aéreo brasileiro vem adotando, de forma cada vez mais clara, o modelo “unbundled”, ou seja, o passageiro paga separadamente por cada item:
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Assento mais confortável
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Bagagem despachada
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Marcação de assento
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Serviço de bordo
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Embarque prioritário
O problema não é o modelo em si, que já é comum no mundo inteiro. A questão é a percepção de valor.
Quando o passageiro paga caro e recebe um serviço mínimo, surge a sensação de estar sendo tratado como carga.
O impacto dos custos e impostos
O setor aéreo brasileiro enfrenta desafios estruturais:
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Alta carga tributária sobre passagens
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Combustível caro
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Taxas aeroportuárias elevadas
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Câmbio instável
Estima-se que até 35% do valor da passagem seja composto por tributos e encargos indiretos.
Ou seja: o preço é de avião, mas o serviço, em alguns casos, lembra o de um ônibus interestadual.
O passageiro no centro da equação
A ponte aérea sempre foi sinônimo de:
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Agilidade
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Conforto
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Frequência de voos
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Experiência superior ao transporte rodoviário
Quando o serviço a bordo é reduzido ao mínimo, o passageiro passa a perceber que:
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O preço continua alto
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O conforto diminuiu
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O serviço foi segmentado
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A experiência deixou de ser especial
E isso afeta diretamente a imagem das companhias aéreas.
O que esperar do futuro da experiência a bordo
O modelo de tarifas segmentadas veio para ficar.
O desafio das companhias será equilibrar:
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Rentabilidade
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Custos operacionais
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Percepção de valor do passageiro
Porque, no final das contas, o transporte aéreo não vende apenas um assento.
Ele vende tempo, conforto, segurança e experiência.
Se a experiência deixa de ser satisfatória, o passageiro sente que pagou caro demais para ser tratado como mais um volume na cabine.
Conclusão
A ponte aérea brasileira continua eficiente, segura e operacionalmente bem executada. Mas a experiência do passageiro mudou. O serviço a bordo, antes padronizado, hoje depende da tarifa comprada.
O resultado é uma sensação incômoda para quem paga caro e recebe pouco:
o preço é de avião, mas o tratamento parece de carga paga.
O setor precisa refletir: até que ponto a redução de serviços impacta a fidelidade e a satisfação do passageiro?

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Marcuss Silva Reis