.
A cada ciclo eleitoral, os brasileiros são chamados às urnas para decidir quem conduzirá o país pelos próximos anos. Na minha opinião, essa escolha vai muito além de nomes ou partidos. Ela define, em grande medida, o modelo econômico que orientará o Brasil e, consequentemente, influenciará diretamente o futuro da aviação brasileira.
Como economista e profissional da aviação há mais de quatro décadas, estou convencido de que existe uma relação inseparável entre desenvolvimento econômico e transporte aéreo. Não conheço nenhum país que tenha construído uma aviação forte, moderna e acessível convivendo com baixo crescimento econômico, insegurança jurídica, inflação elevada e perda contínua do poder de compra da população.
A aviação é um dos setores que mais rapidamente reflete a saúde da economia de um país.
A aviação acompanha o crescimento da economia
O transporte aéreo não produz riqueza por si só. Ele transporta pessoas, conecta empresas, impulsiona o turismo, facilita o comércio internacional e integra regiões. Em outras palavras, a aviação acompanha a riqueza produzida pela economia.
Quando empresas investem, novos negócios surgem. Quando a indústria cresce, aumenta a necessidade de deslocamentos corporativos. Quando o turismo se fortalece, cresce a demanda por voos nacionais e internacionais. Quando a renda das famílias aumenta, viajar de avião deixa de ser um sonho distante e passa a fazer parte da realidade de milhões de pessoas.
O contrário também acontece.
Quando a economia permanece estagnada, o consumo diminui, os investimentos são adiados, empresas reduzem operações e o desemprego cresce. O primeiro reflexo aparece justamente na redução da demanda por transporte aéreo.
Companhias aéreas reduzem frequências, aeroportos movimentam menos passageiros, cidades perdem conectividade e a aviação regional torna-se economicamente inviável.
Por que defendo uma economia liberal e de mercado?
Escrevo este artigo sob a ótica de quem estudou Economia e viveu a aviação durante toda a vida profissional.
Na minha avaliação, economias baseadas na livre iniciativa, na responsabilidade fiscal, na segurança jurídica, na estabilidade monetária, na concorrência e no incentivo ao investimento privado criam condições mais favoráveis para o crescimento sustentável.
Isso não significa defender a ausência do Estado, mas sim um Estado eficiente, capaz de estabelecer regras claras, preservar contratos, controlar suas contas e oferecer previsibilidade para quem deseja produzir, investir e gerar empregos.
Investidores procuram estabilidade.
Empresas procuram segurança.
Empreendedores procuram liberdade para inovar.
Quando esses elementos estão presentes, os investimentos aumentam e toda a economia passa a crescer.
A aviação acompanha esse crescimento.
Crescimento econômico significa mais brasileiros voando
Existe uma forte correlação entre o Produto Interno Bruto (PIB) e a demanda por transporte aéreo.
Sempre que a economia cresce de forma consistente, observa-se:
- aumento do número de passageiros;
- ampliação da malha aérea;
- abertura de novas rotas nacionais e internacionais;
- fortalecimento da aviação regional;
- expansão do transporte de cargas;
- geração de empregos altamente qualificados;
- investimentos em aeroportos e infraestrutura.
Além disso, famílias com maior renda disponível conseguem viajar com mais frequência, impulsionando o turismo, os negócios e a integração nacional.
Uma economia forte democratiza o acesso ao transporte aéreo.
O enorme potencial da aviação brasileira
Poucos países possuem um potencial aeronáutico comparável ao do Brasil.
Somos um país continental, com grandes distâncias entre centros econômicos, enorme vocação turística, um agronegócio altamente competitivo, uma indústria aeronáutica reconhecida mundialmente e uma posição estratégica para o comércio internacional.
Mesmo assim, nossa malha aérea ainda está muito abaixo do potencial que poderíamos alcançar.
Ainda convivemos com problemas históricos como:
- elevada carga tributária;
- excesso de burocracia;
- insegurança regulatória;
- custos operacionais elevados;
- deficiência de infraestrutura em diversas regiões;
- baixa conectividade de centenas de municípios.
Esses obstáculos dificultam investimentos e limitam o crescimento da aviação brasileira.
Comércio internacional também depende da aviação
Uma economia aberta ao comércio internacional fortalece naturalmente o transporte aéreo.
Produtos de alto valor agregado, medicamentos, equipamentos eletrônicos, peças industriais e cargas urgentes dependem da logística aérea para chegar rapidamente aos mercados consumidores.
Da mesma forma, investidores internacionais observam atentamente a infraestrutura de transportes antes de decidir onde aplicar seus recursos.
Aeroportos modernos, segurança operacional, previsibilidade regulatória e estabilidade econômica aumentam a competitividade do país.
Não existe economia global sem uma aviação eficiente.
As eleições também definem o ambiente econômico
As eleições não escolhem apenas governantes.
Elas também definem quais políticas econômicas serão adotadas nos próximos anos.
Na minha opinião, quanto maior o compromisso com a responsabilidade fiscal, a estabilidade monetária, a liberdade econômica, a segurança jurídica e o estímulo ao investimento produtivo, maiores serão as oportunidades de crescimento para a economia brasileira e, consequentemente, para a aviação.
Naturalmente, essa é uma visão baseada na minha formação como economista e na experiência acumulada ao longo da minha trajetória profissional. Outros especialistas podem interpretar essa relação de maneira diferente.
O importante é que o debate ocorra com argumentos, dados e respeito às diferentes perspectivas.
O futuro da aviação começa na economia
Nenhum avião decola sem combustível.
Da mesma forma, nenhum setor econômico cresce sem investimentos.
A aviação precisa de passageiros, empresas, turismo, comércio, indústria, infraestrutura e confiança.
Todos esses elementos dependem, em maior ou menor grau, do ambiente econômico construído pelas escolhas da sociedade.
Por isso, acredito que o futuro da aviação brasileira começa muito antes da pista de decolagem.
Ele começa nas decisões econômicas que estimulam o empreendedorismo, fortalecem a produção, geram empregos, ampliam a renda das famílias e criam condições para que mais brasileiros possam voar.
Espero que, qualquer que seja o resultado das urnas, o Brasil caminhe em direção a um ambiente de maior prosperidade, produtividade e competitividade. Afinal, uma economia forte beneficia não apenas a aviação, mas toda a sociedade.
Prof. Marcuss Silva Reis
Economista, Piloto Comercial de Avião, Perito Judicial em Aviação, Pós-Graduado em Ciências Aeronáuticas, Segurança da Aviação Civil (Safety & Security), Docência do Ensino Superior e Técnico em Óptica.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentário!!!!
Marcuss Silva Reis