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sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Tragédia em Minas Gerais: queda de King Air da Polícia Militar mata três oficiais durante voo de treinamento



INSTITUTO DO AR | 9 de outubro de 2026 | Segurança Operacional

Acidente ocorrido nas proximidades do Aeroporto Regional do Vale do Aço, em Santana do Paraíso, vitimou um experiente instrutor de voo e duas oficiais aviadoras. A ocorrência será investigada pelas autoridades aeronáuticas.

A aviação de segurança pública brasileira vive um dia de luto. Na tarde desta sexta-feira, 9 de outubro de 2026, um avião Beechcraft King Air B300, pertencente à Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), sofreu um acidente nas proximidades do Aeroporto Regional do Vale do Aço, que atende a região de Ipatinga, no município de Santana do Paraíso.

Os três policiais militares que estavam a bordo morreram. A aeronave, identificada pelo prefixo PP-EJO e pelo indicativo operacional Pégasus 17, integrava a estrutura aérea da corporação.

Noticias R7
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Quem eram os três militares que perderam a vida?

As vítimas pertenciam ao Comando de Aviação do Estado (ComAvE), unidade especializada que desempenha importantes missões de apoio às operações de segurança pública.

  • Tenente-coronel Luis Fernando Silvestre, comandante do Esquadrão de Aviões e instrutor de voo, com mais de 5 mil horas de experiência.

  • 1ª tenente Gabriela Emília Soares Lacerda Resende, reconhecida como a primeira mulher da PMMG a se formar piloto de aeronaves de asa fixa.

  • Tenente Alice dos Santos Almeida, integrante da equipe de aviadores da corporação.

As duas tenentes possuíam aproximadamente 300 horas de voo cada. Gabriela havia retornado recentemente de sua licença-maternidade, circunstância que torna a tragédia ainda mais dolorosa para sua família e seus companheiros de trabalho.

UOL Notícias
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O que se sabe sobre o voo

Segundo as primeiras informações divulgadas, o King Air havia partido do Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, por volta das 15h16, com destino à região do Vale do Aço.

A operação estava relacionada a um treinamento periódico de tripulantes, descrito pela Polícia Militar como uma atividade de rechecagem de habilitação.

O acidente ocorreu na região do Aeroporto de Ipatinga, pouco depois das 16 horas. As informações iniciais sobre a fase exata do voo ainda exigem esclarecimentos, pois diferentes relatos mencionam aproximação e decolagem da área aeroportuária.

Após o impacto, houve incêndio e destruição significativa da aeronave. Equipes de emergência foram acionadas, mas nenhum dos três militares sobreviveu.

Metrópoles
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O King Air B300: uma aeronave de elevada capacidade operacional

O King Air B300, da família Super King Air, é um bimotor turboélice pressurizado, amplamente utilizado em transporte executivo, missões governamentais, operações aeromédicas e atividades especiais.

Equipado com dois motores da família Pratt & Whitney Canada PT6A, o modelo apresenta boa capacidade de operação em diferentes perfis de missão e dispõe de sistemas de navegação, comunicação e gerenciamento de voo cuja configuração depende dos equipamentos instalados.

É importante esclarecer uma questão de nomenclatura: embora frequentemente chamado de King Air 300, a aeronave acidentada é identificada como modelo B300, associado comercialmente à versão King Air 350.

Rádio Itatiaia
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A rechecagem de pilotos e os riscos associados ao treinamento

Um aspecto particularmente relevante desta ocorrência é o fato de o voo estar relacionado à rechecagem de habilitação.

Na aviação profissional, avaliações periódicas permitem verificar se os pilotos mantêm as competências necessárias à operação segura da aeronave.

Dependendo do programa aprovado e das condições aplicáveis, uma avaliação poderá envolver procedimentos normais e anormais, aproximações por instrumentos, arremetidas e gerenciamento de situações de emergência.

Entretanto, é fundamental distinguir o treinamento realizado em simulador daquele executado em aeronave real.

Em um simulador adequadamente qualificado, é possível reproduzir situações críticas sem expor a tripulação aos mesmos riscos físicos de uma falha efetiva. Na aeronave, a execução de determinados exercícios exige limites operacionais rigorosos e coordenação permanente entre instrutor e piloto avaliado.

Não existe, até o momento, confirmação de que uma emergência simulada, falha de motor ou outro exercício específico tenha participado da sequência do acidente. Portanto, seria tecnicamente incorreto associar a queda a qualquer dessas condições.

A aproximação para Ipatinga: um ponto que merece atenção técnica

Informações publicadas pelo AEROIN, com base em dados de rastreamento, indicam que a aeronave teria realizado uma primeira aproximação, seguida de arremetida, antes de retornar para nova tentativa de pouso.

Segundo a publicação, um dos últimos registros disponíveis indicaria razão de descida próxima de 1.100 pés por minuto.

AEROIN - Notícias de Aviação

Esses dados merecem análise cuidadosa.

Uma razão de descida de 1.100 pés por minuto, isoladamente, não comprova que a aeronave estivesse fora de seus parâmetros operacionais. Sua avaliação exige conhecer a velocidade, a altitude, a configuração, o perfil da aproximação, a trajetória vertical e as condições meteorológicas.

Também não é possível afirmar que a arremetida tenha relação causal com o acidente. Trata-se de um procedimento normal de segurança quando a aproximação não reúne as condições necessárias para continuar até o pouso.

A reconstrução da trajetória deverá esclarecer, entre outros aspectos, a energia da aeronave, suas mudanças de configuração e o momento em que ocorreu a perda de controle ou outra condição determinante, caso alguma dessas hipóteses se confirme.

A investigação aeronáutica

A investigação de segurança operacional ficará sob responsabilidade do sistema de investigação aeronáutica da Força Aérea Brasileira, coordenado pelo CENIPA, com atuação regional informada do SERIPA III.

UOL Notícias

Entre os elementos que poderão ser examinados estão:

  • Histórico de manutenção, aeronavegabilidade e eventuais modificações recentes.

  • Condições meteorológicas e procedimentos de aproximação utilizados.

  • Registros de comunicações aeronáuticas e dados de vigilância disponíveis.

  • Planejamento do treinamento, experiência e atribuições de cada tripulante.

  • Evidências físicas dos destroços e informações de eventuais sistemas de gravação instalados.

Esses pontos representam possíveis linhas de investigação, e não irregularidades constatadas.

O objetivo de uma investigação conduzida segundo os princípios de prevenção de acidentes aeronáuticos não é antecipar responsabilidades, mas identificar fatores contribuintes e desenvolver recomendações capazes de evitar novas ocorrências.

Uma reflexão sobre segurança operacional

A perda de três aviadores durante uma atividade de treinamento representa uma tragédia que atinge não apenas a Polícia Militar mineira, mas toda a comunidade aeronáutica.

O treinamento é um dos pilares da segurança de voo. A qualificação de instrutores, a padronização de procedimentos, a disciplina operacional e a avaliação periódica de competências são instrumentos fundamentais para administrar o risco.

Ao mesmo tempo, acidentes dessa natureza reforçam a importância de estudar continuamente os métodos de instrução e os limites de segurança aplicáveis às atividades de avaliação em voo.

A aviação nos ensina que experiência e treinamento reduzem riscos, mas não eliminam a necessidade permanente de vigilância, consciência situacional e gerenciamento de ameaças e erros.

Considerações finais

O Instituto do Ar manifesta profundo pesar pela morte do tenente-coronel Luis Fernando Silvestre e das tenentes Gabriela Emília Soares Lacerda Resende e Alice dos Santos Almeida.

Três profissionais que dedicaram parte significativa de suas vidas à segurança pública e à atividade aérea perderam a vida no exercício de suas funções.

A melhor homenagem que a comunidade aeronáutica pode prestar, além do respeito às famílias, é acompanhar a investigação com responsabilidade, sem especulações precipitadas, e transformar as lições que vierem a ser identificadas em medidas efetivas de prevenção.

Na aviação, investigar é preservar a vida daqueles que continuarão voando.

Marcuss Silva Reis

Piloto Comercial de asas fixas, piloto da aviação geral, perito judicial em aviação, economista e técnico em óptica. Pós-graduado em Ciências Aeronáuticas, Segurança da Aviação Civil e Docência do Ensino Superior. Ex-instrutor de escolas de aviação civil e professor universitário.

Instituto do Ar — www.institutodoaraviacao.com.br

Fontes e referências

Nota editorial: matéria elaborada com informações disponíveis em 9 de outubro de 2026. Os dados preliminares estão sujeitos a atualização conforme manifestações oficiais e o andamento da investigação aeronáutica.

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