Há trinta anos, a aviação brasileira perdia 99 vidas no acidente do Fokker 100 da TAM, em São Paulo. Entre elas estava um colega que conheci e de quem guardo uma lembrança muito particular: o Zoio.
O Zoio era copiloto da TAM, mas também comandante de Learjet. Nossa história se cruzou em Dallas, nos Estados Unidos, quando estivemos na SimuFlite para treinamento em simuladores. Ele treinava no Learjet, enquanto eu realizava meu treinamento no Citation,fora isso sempre nos viamos e trocavamos uma idéia pelos aeroportos da Vida.
Lembro-me de que, naquela ocasião, saímos para tomar uma cerveja no Hooters. Um encontro simples, desses que fazem parte da convivência entre aviadores e que, naquele momento, não imaginamos que um dia se transformariam em lembranças tão importantes.
Trinta anos se passaram.
Quando estudamos um acidente aeronáutico, falamos de sistemas, procedimentos, falhas, fatores humanos e recomendações de segurança. Tudo isso é fundamental. Mas existe uma dimensão que os relatórios não conseguem registrar: as pessoas que estavam dentro daquela aeronave.
Para muitos, o TAM 402 é um dos acidentes mais marcantes da história da aviação brasileira. Para mim, é também a lembrança de um colega, de um comandante de Learjet, de um encontro em Dallas e daquela cerveja que hoje pertence à memória.
Ao Zoio, minha homenagem. Aos demais tripulantes, passageiros e vítimas em solo, meu respeito e minha lembrança.
Porque, antes de serem nomes em um relatório de investigação, eram pessoas com histórias, amizades, famílias e sonhos.
Marcuss Silva Reis — Instituto do Ar

