Há um detalhe nas imagens do acidente com o Bell 430, matrícula PP-MGR, que merece atenção: não houve incêndio nem explosão após o impacto. O próprio Corpo de Bombeiros de Santa Catarina confirmou essa informação.
Isso chama a atenção porque estamos falando de um helicóptero bimotor a turbina que sofreu um acidente em região de relevo acidentado. Em impactos de maior energia, a ruptura de tanques ou linhas pode provocar vazamento e dispersão de combustível e, existindo uma fonte de ignição, pode ocorrer incêndio pós-impacto.
Mas é fundamental fazer uma ressalva: a ausência de fogo não significa, por si só, que a aeronave estivesse sem combustível ou com pouco combustível. Combustível pode ser liberado sem encontrar condições adequadas de ignição.
Ainda assim, é uma informação tecnicamente relevante. Entre as questões que a investigação poderá esclarecer estão quanto combustível havia a bordo, a integridade do sistema de combustível e a dinâmica e energia do impacto.
Portanto, fica apenas a observação — não uma conclusão:
Por que, apesar do acidente e dos danos à aeronave, não ocorreu incêndio pós-impacto?
A resposta deverá vir da investigação técnica. Até lá, é um elemento a ser observado, não uma evidência isolada de causa.
Marcuss Silva Reis
Piloto Comercial de asas fixas, piloto da aviação geral, perito judicial em aviação, economista e técnico em óptica. Pós-graduado em Ciências Aeronáuticas, Segurança da Aviação Civil e Docência do Ensino Superior. Ex-instrutor de escolas de aviação civil, professor universitário.

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Marcuss Silva Reis